USO E APLICAÇÃO
Bioinseticidas de ação física controlam pulgões, mas exigem aplicação direcionada

Pulgões podem sofrer controle com bioinseticidas de ação física, desde que a aplicação ocorra de forma direcionada. Pesquisa avaliou produtos à base de ácidos graxos, polímeros de silicone e surfactantes contra Myzus persicae e Brevicoryne brassicae, além dos efeitos sobre inimigos naturais. Os resultados indicam eficácia dependente do contato direto e baixo risco residual para organismos benéficos quando o produto seca.
O estudo testou três rotas de exposição. A aplicação direta sobre insetos e folhas provocou mortalidade elevada de pulgões em até 72 horas. Em B. brassicae, ácidos graxos e polímeros de silicone atingiram até 90% de mortalidade. Em M. persicae, o efeito variou de 20% a 63%, conforme o produto.
Inimigos naturais
A mesma exposição direta afetou inimigos naturais. Adultos do parasitoide Diaeretiella rapae morreram em 100% dos casos após contato com ácidos graxos e polímeros de silicone. Larvas do predador Chrysoperla carnea também sofreram perdas relevantes, com mortalidade entre 36% e 100%, conforme o bioinseticida.
Quando os insetos receberam pulverização direta e depois foram transferidos para folhas sem produto, a resposta manteve padrão semelhante. O controle de B. brassicae permaneceu alto. O efeito sobre M. persicae caiu. Inimigos naturais continuaram vulneráveis ao contato direto, sobretudo com polímeros de silicone.
Exposição a resíduos
A exposição apenas a resíduos secos apresentou outro cenário. A mortalidade de pulgões ficou próxima de zero para M. persicae e não passou de 10% em B. brassicae. Inimigos naturais registraram baixa mortalidade. Parasitoides mostraram até 33% de perdas com resíduos de ácidos graxos. O inseticida sintético usado como padrão provocou mortalidade entre 66% e 100% nessa condição.
Os pesquisadores concluíram que bioinseticidas de ação física não deixam efeito residual relevante. A característica reduz riscos prolongados para inimigos naturais e permite recolonização rápida das áreas tratadas. O manejo exige aplicação precisa sobre focos de pulgões.
Fonte: Revista Cultivar, publicado em 14/01/2025
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