USO E APLICAÇÃO

Podridão de vagens avança em Mato Grosso e desafia a produção de soja


A podridão de vagens e de grãos de soja vem causando prejuízos aos produtores desde a safra 2018/2019, principalmente em Mato Grosso. Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, a doença afeta a qualidade dos grãos e a produtividade e, na safra 2025/2026, avançou para novas áreas do estado, aumentando a necessidade de pesquisas sobre manejo.

Os sintomas da doença fúngica, provocada por espécies dos gêneros Diaporthe e Fusarium, começam a aparecer no início do enchimento dos grãos, no estádio R5. O problema provoca o apodrecimento de vagens e grãos, com níveis de severidade que variam conforme a safra, o ambiente de produção e a cultivar utilizada.

Desde o surgimento da doença, a Embrapa e parceiros vêm desenvolvendo estudos para compreender o problema e avaliar estratégias de manejo. Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, as pesquisas têm concentrado esforços na avaliação de cultivares, épocas de semeadura e manejo com fungicidas.

Doença avança para novas áreas de Mato Grosso

A região mais atingida pela podridão de vagens e de grãos tem sido o Médio Norte de Mato Grosso. Na safra 2025/2026, porém, extensas áreas da região Oeste do estado também apresentaram ocorrência da doença, incluindo os municípios de Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra.

Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, o avanço para essas áreas mostra que a doença está alcançando novas regiões agrícolas e reforça a necessidade de continuidade das pesquisas e de ampliação das avaliações para diferentes ambientes de produção.

Novos resultados sobre cultivares e manejo de fungicidas foram apresentados pela Embrapa e parceiros nas publicações “Avaliação de cultivares e épocas de semeadura para reação à podridão de grãos da soja – segundo ano de avaliação, safra 2023/2024” e “Eficácia de fungicidas para o controle da podridão de vagens e de grãos de soja, na safra 2025/2026: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos”.

Cultivares e época de semeadura influenciam ocorrência

Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, a primeira publicação apresenta um estudo realizado na safra 2023/2024, em Mato Grosso, com 26 cultivares de soja geneticamente modificada e quatro cultivares convencionais. O objetivo foi avaliar a reação das cultivares à podridão de vagens e de grãos.

O estudo também avaliou a incidência da doença em três épocas de semeadura e três cultivares. Os experimentos foram conduzidos em quatro locais: dois em Sinop, um em Sorriso e um em Lucas do Rio Verde. Os testes relacionados às épocas de semeadura foram realizados em Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.

Os resultados mostraram diferenças significativas entre as cultivares quanto à reação à doença. Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, a incidência foi maior nas semeaduras tardias, que também apresentaram menor produtividade de grãos.

Os resultados indicam que a escolha de cultivares com bons níveis de resistência, associada a épocas de semeadura mais precoces, pode ajudar a reduzir os impactos da podridão de vagens e de grãos. A Embrapa ressalta, porém, que as avaliações precisam continuar para determinar as estratégias de manejo.

A definição da melhor época de semeadura também exige novos estudos, já que a ocorrência da doença é influenciada pelas condições ambientais, que podem variar de uma safra para outra.

Fungicidas reduzem sintomas e ajudam na produtividade

A segunda publicação reúne resultados de 13 experimentos realizados na safra 2025/2026 por instituições de pesquisa de Mato Grosso e Rondônia. Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, os ensaios foram conduzidos em áreas com histórico de ocorrência da podridão de vagens e de grãos para avaliar a eficácia de fungicidas no controle da doença.

Nos experimentos, foram avaliados fungicidas sítio-específicos, que atuam sobre uma única proteína ou enzima do metabolismo do fungo, em associação com fungicidas multissítios, que atingem diferentes pontos vitais do patógeno. Também foram analisados ingredientes ativos isolados.

Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, diferentes fungicidas reduziram a incidência dos sintomas e contribuíram para o aumento da produtividade. O resultado ocorreu não apenas pela redução da podridão, mas também pelo controle da mancha-alvo e de doenças de final de ciclo.

Os resultados reforçam a importância dos programas de fungicidas como parte da estratégia de manejo. Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, essas ações precisam ser integradas a outras práticas e considerar a sensibilidade das cultivares, as condições ambientais e a ocorrência simultânea de outras doenças.

Manejo da podridão exige novas avaliações

A Embrapa ressalta que os conhecimentos obtidos nos estudos ainda não representam recomendações diretas de manejo, porque são necessárias novas avaliações. Como orientação geral, o produtor deve diversificar as cultivares utilizadas para reduzir os riscos de perdas de produtividade provocadas por doenças e outros fatores adversos.

Segundo dados divulgados pela Embrapa Cerrados, o manejo da podridão de vagens e de grãos deve considerar a reação das cultivares e a definição adequada das datas de semeadura. O controle químico também deve priorizar a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação.

A recomendação busca evitar aplicações consecutivas do mesmo fungicida e, assim, reduzir a pressão de seleção que pode favorecer a resistência dos fungos aos produtos. A combinação dessas estratégias deve continuar sendo avaliada pela pesquisa para diferentes regiões e condições de cultivo.

 

Fonte: Agrolink, publicado em 10/08/2026

Fonte da imagem: Magnific

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