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Incertezas no frete marítimo: tendências e impactos no mercado de defensivos


Atualmente, o mercado brasileiro é dependente de outros países para o abastecimento de defensivos. Cerca de 95% dos volumes de agroquímicos são importados de países como a China, Índia, Estados Unidos e Europa. Com isso para o ativo chegar ao mercado brasileiro necessita passar por transporte marítimo. Normalmente, os produtos são importados por contêineres e por isso competem por espaço com outros produtos industriais.

Dessa forma, disrupções na cadeia de fretes marítimos trazem impactos nos preços e disponibilidade dos defensivos no Brasil. Vale ressaltar que em relação ao preço final do defensivo, o frete marítimo impacta de 1 a 5% na formação de custo.

Os fretes marítimos de importações chinesas apresentaram aumento na precificação dos containers de outubro de 2024 a janeiro de 2025. A elevação de cerca de 13% no período teve como principal impulsionador o aquecimento da demanda. Dentre os motivos, destacam-se o estímulo pelo aumento do consumo devido às festividades de final de ano e a perspectiva da implementação de taxas alfandegárias adicionais sobre importações de produtos nos Estados Unidos citadas na campanha de Donald Trump.

Com a vitória do Republicano nas eleições dos EUA e a intensificação do discurso do mesmo sobre taxações aos produtos chineses, o mercado estadunidense antecipou compras da China para evitar maiores custos.

A partir do início do ano, o cenário passou a mudar e apresentou uma queda de 11% no índice de frete para as importações chinesa, entre janeiro e fevereiro de 2025. Com o mercado norte-americano abastecido e a implementação oficial das taxações, as precificações de fevereiro de 2025 ficaram 20% abaixo dos valores para o mesmo período do ano anterior.

Esse declínio também foi relacionado ao alívio do tráfego portuário em razão de possíveis resoluções da situação do Mar Vermelho até o início de março de 2025. Entretanto, nos últimos dias houve novas escaladas de tensão no Iêmen, entre os Estados Unidos e o grupo Houthi.

Na segunda quinzena de março, ocorreram ataques aéreos por parte dos EUA ao grupo Houthi que se localiza no norte do Iêmen. Esse grupo, há mais de um ano, realiza ataques aos navios de comércio de bandeiras internacionais no Mar vermelho. A principal causa apontada pelo grupo é a solidariedade aos palestinos devido a guerra entre Israel e Hamas.

Desde o final de 2023, grandes companhias de navegação pararam de utilizar a rota do Mar vermelho e passaram a utilizar o caminho alternativo pelo Cabo da Boa Esperança, na África, tornando as rotas mais longas e mais custosas. Vale ressaltar, que o Mar Vermelho está ligado ao Canal de Suez, sendo considerada uma rota mais rápida entre a Ásia e a Europa.

Em relação ao mercado de defensivos, caso haja uma nova escalada das tensões devido ao agravamento do conflito entre o grupo Houthi e os Estados Unidos, poderá haver novos aumentos nos custos de transporte e possíveis atrasos logísticos, impactando as cadeias de suprimentos globais.

No entanto, uma vez que a Autoridade do Canal de Suez (SCA) consiga manter uma maior estabilidade na segurança da região, o tráfego poderá se normalizar na hidrovia, resultando em quedas nas precificações do frete marítimo chinês e gerando menores custos logísticos.

 

Fonte: Equipe Global Crop Protection

Fonte da imagem: Freepik

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