NOVAS TECNOLOGIAS
Pesquisa em nanotecnologia aponta novas possibilidades para defensivos agrícolas

A nanotecnologia tem transformado o uso de defensivos na agricultura, permitindo aplicações mais precisas com doses menores e impactos ambientais reduzidos. Nanopartículas poliméricas proporcionam liberação controlada e proteção dos ingredientes ativos, diminuindo perdas por evaporação e lixiviação, além de limitar efeitos sobre organismos não-alvo. O avanço contribui para maior produtividade e menor agressividade ambiental.
Segundo dados globais de 2022, 3,69 milhões de toneladas de agroquímicos foram consumidas, principalmente na agricultura. Cada formulação combina ingredientes ativos e coformulantes, que representam 50% a 90% do produto. Apesar de chamados de “inertes”, esses componentes podem ser mais prejudiciais ao ambiente que o próprio ingrediente ativo, tornando urgente a busca por soluções mais sustentáveis.
Primeira geração de nanopesticidas e limitações ambientais
A primeira geração de nanopesticidas conseguiu unir alta eficiência com menor toxicidade ambiental, mas o rótulo “verde” nem sempre se aplicava de forma correta. Muitos sistemas ainda dependem de polímeros sintéticos, solventes orgânicos e surfactantes derivados do petróleo, comprometendo a real sustentabilidade das formulações.
Revisão científica mapeia materiais verdadeiramente verdes
Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), da Unesp e USP, publicaram em 2025 na revista Sustainable Materials and Technologies (Elsevier) uma revisão inédita que identifica materiais sustentáveis capazes de substituir componentes sintéticos em nanopesticidas.
O estudo, assinado por Vanessa Takeshita, Ana Cristina Preisler, Gustavo Munhoz-Garcia, Felipe Franco de Oliveira, Juliana Milagres, Jéssica Rodrigues, Amanda de Freitas e Leonardo Fraceto, também propõe critérios técnicos e ambientais para definir o que caracteriza um produto verdadeiramente verde.
“Precisamos de uma nova lógica na formulação de pesticidas. A transição para polímeros, surfactantes e princípios ativos de origem natural é o passo que pode consolidar uma nanotecnologia agrícola realmente sustentável”, afirma Leonardo Fraceto, coordenador do INCT NanoAgro.
Alternativas sustentáveis para nanopesticidas
Para que um nanopesticida seja considerado verde, todos os componentes — polímeros, surfactantes e ingredientes ativos — devem ser naturais, biodegradáveis e ecologicamente compatíveis. O estudo mapeia alternativas como:
- Polímeros naturais: quitosana, lignina, zeína, celulose e alginato.
- Biossurfactantes: ramnolipídeos, sophorolipídeos, surfactina e saponinas.
- Ingredientes ativos naturais: óleos essenciais, peptídeos antimicrobianos e moléculas de RNAi.
Essas combinações geram formulações eficientes, de baixo impacto ambiental e alinhadas à bioeconomia e à economia circular, evoluindo em relação à primeira geração de nanopesticidas, que ainda dependia de insumos sintéticos.
Desafios para escalabilidade e regulamentação
Apesar do potencial, a adoção industrial enfrenta obstáculos:
- Custo de síntese com solventes biodegradáveis.
- Variabilidade natural das matérias-primas.
- Falta de protocolos regulatórios específicos para nanoprodutos.
Testes ambientais atuais, desenhados para pesticidas convencionais, não captam totalmente o comportamento das nanopartículas em solo e água.
Para superar esses desafios, os pesquisadores propõem critérios harmonizados e diretrizes regulatórias, que orientem cientistas, indústria e formuladores de políticas na construção da nova geração de defensivos verdes, onde a eficiência agronômica caminha lado a lado com a responsabilidade ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio, publicado em 21/01/2026
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