SUSTENTABILIDADE

Estudo evidencia eficácia de óleos vegetais no combate da mosca-branca


Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) indicam que óleos essenciais extraídos de plantas podem atuar de forma eficaz no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das principais pragas da agricultura mundial.

Os resultados apontam que compostos naturais, como os extraídos do capim-limão (Cymbopogon citratus) e do cravo-da-índia (Syzygium aromaticum), podem provocar até 80% de mortalidade do inseto em condições de laboratório. A ação ocorre em diferentes fases do ciclo de vida, desde a oviposição até o estágio adulto.

Além de causar danos diretos ao se alimentar da seiva das plantas, a mosca-branca é vetor de vírus que comprometem o desenvolvimento das culturas, resultando em redução de produtividade e qualidade. O controle da praga é tradicionalmente baseado em inseticidas sintéticos, mas enfrenta limitações relacionadas ao impacto ambiental, à dificuldade de aplicação — já que o inseto se concentra na face inferior das folhas — e ao desenvolvimento de resistência.

Alternativa sustentável

Diante desse cenário, o estudo avaliou óleos essenciais de diferentes espécies vegetais, incluindo erva-baleeira (Cordia verbenacea), alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), aroeira (Schinus terebinthifolius) e espécies do gênero Callistemon. Os ensaios analisaram efeitos sobre ovos, ninfas e adultos, além do potencial de repelência e de redução da oviposição.

Os resultados indicam que o óleo de capim-limão apresentou elevada eficácia sobre os ovos, podendo inibir a eclosão, enquanto óleos como os de cravo-da-índia e alecrim-do-campo se destacaram no controle de ninfas — fase crítica para o desenvolvimento da praga.

Outro diferencial está no modo de ação. Diferentemente dos inseticidas convencionais, que atuam em um único alvo biológico, os óleos essenciais possuem múltiplos compostos ativos, como monoterpenos e sesquiterpenos, que atuam simultaneamente. Essa característica reduz a pressão de seleção e dificulta o desenvolvimento de resistência pelos insetos.

Segundo os pesquisadores, substâncias como o eugenol, presente no cravo-da-índia, e compostos como geranial e neral, no capim-limão, estão associadas aos efeitos inseticidas observados.

Além da mortalidade, os estudos também identificaram efeitos comportamentais, como repelência e redução da postura de ovos, o que pode contribuir para diminuir a infestação ao longo do tempo.

Avanços no manejo integrado

Os resultados reforçam o potencial dos óleos essenciais como ferramentas complementares dentro do manejo integrado de pragas, especialmente em sistemas que buscam reduzir o uso de inseticidas sintéticos e adotar estratégias mais sustentáveis.

 

Fonte: Revista Cultivar, publicado em 26/03/2026

Fonte da imagem: Freepik

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