USO E APLICAÇÃO

Controle da antracnose do milho depende de manejo integrado e rotação de fungicidas


A antracnose do milho, provocada pelo fungo Colletotrichum graminicola, é velha conhecida das áreas de produção — mas o alerta agora vai além da doença. À medida que o milho ganha escala e intensidade no campo, cresce também a pressão por aplicações sucessivas de Fungicidas. O problema é que o uso repetido de produtos com o mesmo modo de ação acelera a seleção de populações menos sensíveis, encurta a vida útil das moléculas e eleva o custo do controle.

A resistência a fungicidas é, na prática, um processo de seleção. Cada pulverização elimina os indivíduos mais sensíveis e abre espaço para os mais tolerantes se multiplicarem.  No campo, o sinal costuma ser sutil: uma área que sempre respondeu bem passa a demandar reaplicações, mistura de produtos e intervalos menores. Quando isso acontece, o produtor já está pagando a conta.

A Embrapa reforça que o controle começa fora do tanque. De acordo com publicação técnica “A principal estratégia de controle da antracnose é a utilização de cultivares com resistência genética.” Essa recomendação muda o jogo porque reduz a pressão do patógeno desde o início. E, com menos doença circulando, há menos necessidade de entradas repetidas com fungicida — justamente o cenário que favorece resistência.

No mesmo pacote de manejo integrado entram práticas que diminuem a “carga” do fungo na área: rotação de culturas, manejo de restos culturais e cuidados que evitem que o patógeno se mantenha de uma safra para outra.

Quando a aplicação é necessária, o programa precisa ser pensado para reduzir seleção. Isso passa por duas decisões-chave: alternar modos de ação e usar misturas com parceiros realmente eficazes.

Para o milho, mesmo quando o manejo exige mais entradas por condições climáticas e teto produtivo, o risco aumenta quando o produtor “repete o mesmo motor” várias vezes seguidas. O caminho mais seguro é espalhar mecanismos diferentes no calendário, privilegiar misturas robustas e cortar repetições desnecessárias.

O outro lado: por que muitos ainda repetem o mesmo produto

Do ponto de vista do campo, há um argumento forte: em anos úmidos, com alta pressão de doença, a sensação é de que reduzir aplicação significa perder produtividade. O desafio é transformar essa preocupação em estratégia — trocar “mais do mesmo” por “melhor programa”.

Em vez de aumentar o número de entradas com o mesmo grupo, a lógica do manejo antirresistência é:

– ajustar o monitoramento;

– combinar genética e práticas culturais;

– usar fungicidas com alternância real de modo de ação.

A antracnose pode ser controlada, mas a eficiência do controle não é garantida para sempre. O uso repetitivo de fungicidas sem rotação coloca o sistema em risco e tende a elevar custos. À medida que o milho ganha escala e intensidade no campo, cresce também a pressão por aplicações sucessivas de fungicidas. O problema é que o uso repetido de produtos com o mesmo modo de ação acelera a seleção de populações menos sensíveis, encurta a vida útil das moléculas e eleva o custo do controle.

 

Fonte: Agrolink, publicado em 19/02/2026

Fonte da imagem: Freepik

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