USO E APLICAÇÃO

Inseticidas de origem vegetal surgem como alternativa promissora contra praga de frutas


A mosca-das-asas-manchadas (Drosophila suzukii) provoca perdas expressivas em pequenas frutas e segue controlada, em grande parte, por inseticidas sintéticos de baixa seletividade. Revisão científica indica que inseticidas de origem vegetal, sobretudo óleos essenciais, apresentam alta toxicidade e efeitos comportamentais relevantes sobre a praga. A instabilidade desses compostos no ambiente, porém, restringe a aplicação em campo e mantém a nanoencapsulação como principal desafio tecnológico.

O inseto ataca frutos de casca fina. A fêmea perfura frutos ainda verdes e deposita ovos. As larvas aceleram a podridão e favorecem infecções secundárias. Em situações extremas, as perdas chegam a 20%, 30% da produção. O manejo atual depende de moléculas sintéticas como espinosinas, diamidas, neonicotinoides, organofosforados e piretroides. A pulverização ampla reduz a eficiência, aumenta deriva e pressiona a seleção de populações resistentes.

Compostos vegetais

A revisão analisou 31 artigos publicados entre 2019 e 2024. Os estudos avaliaram compostos vegetais com foco em letalidade e modulação comportamental. Cinquenta espécies vegetais foram testadas em ensaios de mortalidade, com predominância das famílias Lamiaceae e Asteraceae. Os trabalhos analisaram 49 óleos essenciais e 17 compostos isolados. A maioria dos bioensaios ocorreu em laboratório e concentrou-se em adultos da praga.

Os óleos essenciais mostraram ação letal por contato, ingestão e fumigação. A exposição tópica resultou em mortalidade mais rápida do que a ingestão. Os mecanismos incluem estresse oxidativo, danos teciduais e interferência no sistema nervoso. Compostos terpênicos atravessam cutícula e sistema respiratório, alcançam tecidos internos e comprometem funções vitais.

Além da mortalidade, os trabalhos registraram efeitos comportamentais. Trinta e nove espécies vegetais induziram atração, repelência ou deterrência de oviposição. Treze tratamentos atraíram adultos. Nove apresentaram efeito repelente. Oito reduziram a postura de ovos. Esses resultados sustentam estratégias como “push-pull” e “atração-e-morte”, com potencial para reduzir aplicações generalizadas de inseticidas.

Instabilidade físico-química

A instabilidade físico-química dos óleos essenciais permanece como entrave central. Volatilidade elevada, fotodegradação e sensibilidade a temperatura e umidade dificultam a manutenção de doses eficazes no campo. A revisão identificou apenas um estudo que avaliou óleo essencial nanoencapsulado contra Drosophila suzukii. O trabalho mostrou maior durabilidade e liberação controlada do ingrediente ativo, em comparação ao óleo livre.

O levantamento aponta crescimento no número de patentes envolvendo nanoemulsões e nanopartículas lipídicas com compostos vegetais. As tecnologias buscam ampliar estabilidade, reduzir volatilidade e prolongar o efeito inseticida. Apesar do interesse industrial, faltam ensaios em campo, avaliações ecotoxicológicas e estudos de viabilidade econômica.

Os autores concluem que os inseticidas vegetais oferecem alto potencial para o manejo integrado da mosca-das-asas-manchadas. A nanoencapsulação surge como etapa decisiva para viabilizar o uso agrícola. A lacuna de pesquisas em condições reais de cultivo mantém o tema como prioridade para desenvolvimento de produtos biorracionais aplicáveis no campo.

O trabalho foi desenvolvido por Gabriel N. Araújo, Luis O. Viteri Jumbo, Pedro B. Silva, Leonardo B. Souza, Anielle C. A. Silva, Lucas Anhezini, Gil. R. Santos, Raimundo W. S. Aguiar, Eugênio E. Oliveira e Jerusa M. Oliveira.

 

Fonte: Revista Cultivar, publicado em 02/02/2025.

Fonte da imagem:Freepik

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