ANÁLISES GCP
Tensões no Oriente Médio afetam o mercado global de defensivos agrícolas

No dia 28 de fevereiro, teve início o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Desde então, a tensão entre os países aumentou, culminando desdobramentos importantes, como o fechamento do Estreito de Ormuz. O local é rota estratégica para o comércio global, responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo e GNL comercializado mundialmente. A restrição à passagem de navios elevou rapidamente os preços do petróleo e do gás natural, refletindo o temor de desabastecimento e gargalos logísticos em larga escala.
O mercado de defensivos agrícolas é diretamente afetado por oscilações nas precificações destas commodities energéticas, visto que diversas matérias primas e moléculas têm sua cadeia produtiva ligada a estas commodities. Assim, os constantes ataques e a restrição na passagem por Ormuz já refletiram em aumento de 40% nos preços do Brent, 63% no gás TTF (Europa) e 16% sobre o carvão no comparativo entre a média de mar/26 frente a fevereiro/26.

O prolongamento do conflito mantém a pressão altista sobre o custo produtivo da cadeia de defensivos. Matérias primas como a nafta, fósforo, bromo, metanol, cloro líquido, entre outros estão passando por constante aumento de preços no mercado internacional, o que reflete no custo para síntese das moléculas de defensivos. Um exemplo claro da forte elevação dos custos produtivos é o posicionamento de alguns fabricantes chineses que suspenderam temporariamente as cotações de ativos como Glifosato, Cletodim, Mancozebe e 2,4 D. Essa suspensão ocorreu devido à dificuldade de estimar o impacto dos custos dos insumos na síntese dessas moléculas, motivo pelo qual optaram por interromper temporariamente as negociações.
Além da elevação sobre a cadeia de custos, a insegurança sobre a região do Oriente Médio tem refletido também sobre a logística internacional, uma vez que a navegação por regiões vizinhas ao conflito, como o Canal de Suez no Mar Vermelho, acaba sendo comprometida. O resultado é de alta no índice de frete marítimo e aumento da chance de ocorrência de gargalos logísticos, visto que grandes companhias de navegação são obrigadas a buscar rotas alternativas que são mais longas e mais custosas, interferindo na cadência de entregas, o que tende a impactar a entrega de produtos ao mercado brasileiro ao longo dos próximos meses.
Para o mercado brasileiro, a pressão altista sobre os custos no mercado internacional, já tem repercutido sobre o posicionamento de fornecedores de defensivos no Brasil. Alguns fornecedores já suspenderam temporariamente as negociações dos ativos visando o abastecimento da safra 26/27. O cenário tende a limitar cada vez mais as oportunidades de fechamentos mais competitivos e podem acelerar as elevações de preços no Brasil, especialmente para os produtos a serem consumidos entre o 2º e 3º trimestre de 2026. Para o produtor brasileiro, a safra 26/27 deve ser marcada por uma forte necessidade de planejamento estratégico, frente às elevações de preços dos insumos agrícolas durante o principal momento de compras no Brasil.
Fonte: Equipe Global Crop Protection
Fonte da imagem: Freepik



