ANÁLISES GCP

Apesar de crescimento exponencial, a competitividade no mercado de bioinsumos brasileiro pode limitar tendência similar nos preços

Dados inéditos apresentados durante o Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, promovido pela ANPII Bio, apontam crescimento na adoção e tecnologia dos bioinsumos, além de tendências e desafios de mercado; evento reuniu indústrias, especialistas e setor público


Na safra 2023/24, o mercado de bioinsumos movimentou cerca de R$ 5,7 milhões, atingindo 156 milhões de hectares tratados. Por sua vez, na safra 2024/25 superou os R$ 7 bilhões, considerando produtos comerciais e produção on farm. Os dados, divulgados durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), realizado na última semana em Campinas (SP), demonstram a consolidação do Brasil entre os três maiores países do mundo no segmento, juntamente com Estados Unidos e China.

Estimativas apresentadas destacam o Brasil com 15% – 18% do segmento em escala global e 50% frente aos países da América Latina. O crescimento ocorre concomitantemente ao aumento de 50% do número de empresas entre 2022 e 2025 atuando na produção industrial de insumos biológicos, totalizando 200 empresas registradas junto ao MAPA pulverizadas em 1500 produtos com ação biológica regulares, o que demonstra o aumento da competitividade entre players. Entretanto, mesmo com a ampliação do setor, o valor de mercado vem crescendo de maneira mais tímida: frente à safra 2023/24, a área potencial tratada (PAT) avançou 15,8%, enquanto o valor de mercado cresceu apenas 3,6%, com projeção de leve redução na safra 2025/26.

No ano de 2025, o MAPA liberou número recorde de novos registros: cerca de 912 novos registros, desse montante 162 são classificados como bioinsumos. Nesse sentido, apesar de aumento expressivo na adoção de biológicos no tratamento de culturas, a oferta tem se elevado significativamente, o que pressiona o setor por reposicionamento baixistas nos preços e afetando a captura de valor no mercado. Semelhante ao que foi abordado por Lars Schobinger, fundador e CEO da Blink Inteligência Aplicada: “A entrada acelerada de novos players torna o mercado mais pulverizado e competitivo, intensificando a disputa por preço e comprimindo margens, mesmo em um cenário de maior consumo e adoção no campo”.

Foto: Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, Especialista em marketing estratégico e inteligência de mercado no agronegócio, responsável pela apresentação dos dados exclusivos da ANPII Bio. Fonte: Acervo 5P2R

Ademais, de acordo com informações trazidas por Ignacio Moyano, vice-presidente de desenvolvimento de negócios para a América Latina da Dunham Trimmer International Bio Intelligence, os produtores encontram barreiras como falta de informação e de capacitação técnica, além de qualidade inconsistente entre os produtos e um retorno apenas a longo prazo para aumentar a adoção dos insumos. Mediante esse cenário, o desafio da indústria permeia as comprovações de resultados agronômicos no campo, conquistar a confiança do produtor e diferenciar seu portfólio das demais fornecedoras, através de produtos mais exclusivos e a oferta de serviços e suportes técnicos agregados. O cenário está em consonância com o abordado anteriormente: especialistas do setor alertaram que até 75% das empresas participantes do mercado de biocontrole poderão desaparecer nos próximos anos, devido a impossibilidade de se adaptar às futuras exigências e necessidades do mercado, como pontuado por Fábio Sgarbi, no Linkedin.

No entanto, os dados mostram que as expectativas para o setor ainda são promissoras. Entre 2025 e 2030, o valor do mercado deve apresentar um crescimento médio anual de 10,6%, enquanto a área tratada com os produtos deve se elevar em 66% nos próximos 5 anos. No Brasil, que se destaca em escala de uso de insumos biológicos e desenvolvimento de novas tecnologias, a indústria ganha relevância devido à baixa dependência externa, sendo que 85% dos volumes utilizados provém de produção própria, enquanto apenas 15% são importados. O que pode aumentar a relevância desse segmento frente às recentes, e históricas, movimentações geopolíticas que limitam a exportação de defensivos químicos para o país.

Considerando o mercado de defensivos agrícolas no mercado brasileiro, o segmento de biológicos já representam cerca de 7,2% do mercado em relação aos químicos. Dentre as culturas, a maior participação é do milho, com 10,1% seguido pela cana-de-açúcar- com 8,1%, e pela soja, com 7,1%. Nas categorias de produtos biológicos, os mais relevantes são os bionematicidas (31%) de participação, sucedido pelos bioinseticidas (25%) e biofungicidas (155). Ademais, negociações internacionais, como entre Mercosul e União Europeia assinado em 2026, criam uma área de livre comércio entre as regiões e podem trazer oportunidades importantes para o Brasil, como oportunidade de expansão de exportações agrícolas e de insumos biológicos.

 

Sobre a ANPII Bio:

Fundada em 1990, a ANPII Bio, primeira associação representativa de insumos biológicos no Brasil, vem desempenhando um papel crucial na construção de uma legislação moderna e segura junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e outros órgãos reguladores. Isso permite que o setor produtivo ofereça produtos eficientes e inovadores, com biotecnologia de ponta aplicada à agricultura sustentável.

Em parceria com a Embrapa e outras instituições de pesquisa, a entidade viabilizou estudos que diversificaram e expandiram o setor, com mais de 150 empresas desenvolvendo e comercializando bioinsumos que beneficiam agricultores, o meio ambiente e a sociedade. Além disso, sua participação em eventos científicos, feiras agrícolas, espaços de discussão e diversos fóruns relevantes, assim como seu programa gratuito de EAD, tem promovido maior entendimento sobre a tecnologia dos biológicos e contribuído para o desenvolvimento sustentável da agronomia, da agricultura e da economia do Brasil.

Atualmente, conta com 33 associadas efetivas, incluindo indústrias produtoras e comercializadoras de bioinsumos (Agrivalle, Agripon, Agroceres Binova, Agrocete, Alltech, Alterra, Apoena Agro, Bioagro, Biocaz, Bio Controle, Bionat, Biosphera, Biota, BRQ, BSS, Cema, Elemental Enzymes, Forbio, Gaia, Geoclean, ICL, Indigo, Lallemand, Lynx Biological, Mosaic, Novonesis, Rizobacter, Rovensa Next, Spraytec, Stoller, Syngenta e Valeouro), além de 24 associadas colaboradoras.

Para mais informações, acesse: www.anpiibio.org.br

 

Fonte: Equipe Global Crop Protection

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