ANÁLISES GCP
Atualizações do conflito entre EUA, Irã e Israel e seus impactos no mercado de defensivos
No dia 07/04, Estados Unidos e Irã oficializaram, um acordo de cessar-fogo temporário de duas semanas, mediado pelo Paquistão, abrindo espaço para uma nova rodada de negociações entre os dois países. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz foi reaberto por algumas horas, o que contribuiu para aliviar os preços das commodities energéticas.
Apesar da medida, foram registradas algumas movimentações desde a sua aprovação. Com Israel realizando ataques à alvos do Hezbolah no Líbano, o Irã alegou descumprimento do cessar-fogo, voltando a fechar parcialmente o Estreito de Ormuz e cobrando uma taxa para a passagem dos navios. Isso motivou um novo aumento nos preços do petróleo, que saltaram da faixa de US$ 90/barril para próximo de US$ 100/barril novamente na média do mês de abril.
No final de semana do dia 11 de abril, representantes do Irã e EUA se reuniram no Paquistão, realizando uma rodada de negociações visando a resolução do conflito, objetivo esse que não foi atingido. Com isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o envio de navios ao Golfo de Omã e Mar Arábico, visando conter o tráfego de navios destinados e provenientes do Irã.
Mesmo após o início do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos, o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuou ocorrendo de forma limitada onde, embarcações seguiram atravessando a região quando não tinham ligação direta com portos iranianos. Na prática, o bloqueio atuou sobre fluxos específicos, enquanto navios neutros continuaram operando sob monitoramento e possíveis inspeções, mantendo uma circulação reduzida, porém ativa, na hidrovia.
Em resposta, o Irã ampliou sua atuação na região, combinando estratégia militar e econômica. Além das ameaças a portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã, o país passou a cobrar taxas de trânsito que chegam a US$ 2 milhões por embarcação. Estimativas indicam potencial de arrecadação de até US$ 60 bilhões por ano com a cobrança de tarifas de trânsito no Estreito de Ormuz, considerando a formalização desse modelo ao fluxo global de energia e mercadorias. Antes do conflito, essa prática não era aplicada de forma estruturada, com a navegação ocorrendo sem cobrança direta por parte do Irã.
Ao mesmo tempo, o país (Irã) ameaçou retaliar portos na região, ampliando a instabilidade no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. A presença de minas marítimas e o aumento do risco na navegação já resultam em maior cautela na passagem das embarcações, com redução do fluxo e necessidade de rotas controladas.
Esse movimento reduz a disponibilidade de transporte na região e leva empresas a utilizarem rotas alternativas, como o Mar Vermelho e o Cabo da Boa Esperança, aumentando o tempo de viagem e o consumo de combustível. Esse cenário resulta em aumento direto nos custos logísticos e traz suporte para manutenção dos preços de matérias primas, produtos técnicos e energia em patamares mais elevados.
Em relação as matérias-primas essenciais, como fósforo amarelo, bromo, já acumulam elevação de 27%, 64%, respectivamente, desde jan/26 até o momento. No que se refere ao índice de frete marítimo, por exemplo, houve elevação de 47% com origem em Shangai no comparativo entre a média de fevereiro e de abril/26. Companhias marítimas têm avaliado a possibilidade de aplicar sobretaxas emergenciais de combustível, buscando mitigar os efeitos da elevação de preço das commodities energéticas, além disso, vem forçando medidas como reduções de velocidade e cancelamentos de embarques em algumas regiões.

Ao longo da segunda metade de abril, surgiram sinais de possibilidade de negociações, com propostas sendo discutidas de forma indireta por meio de países intermediários como Omã e Paquistão. Apesar disso, o diálogo tem sido irregular, com cancelamentos, recuos, refletindo a profunda desconfiança entre as partes.
Paralelamente, a dimensão militar do conflito permaneceu ativa, sobretudo de maneira indireta. Israel intensificou operações contra o Hezbollah no Líbano, ampliando a instabilidade regional e reforçando o papel de aliados do Irã no confronto. Embora não tenha ocorrido uma nova ofensiva direta de grande escala entre Irã e Estados Unidos nesse período, a presença militar e a pressão estratégica continuam elevadas, especialmente em áreas sensíveis como o Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte global de petróleo.
O cenário também ganhou contornos mais amplos no campo geopolítico. A Rússia declarou apoio político ao Irã, enquanto países europeus passaram a demonstrar maior desconforto com a condução do conflito, indicando um certo desgaste diplomático para os Estados Unidos.
Para o mercado de defensivos agrícolas, o impacto se manifesta de forma direta tanto na disponibilidade de produtos quanto na formação de preços. Entre os principais aumentos dos produtos técnicos, no comparativo de jan/26 e abr/26, destacamos o enxofre, clorantraniliprole, glifosato e diurom, com alta de 71%, 53,4%, 46,7% e 39,1%, respectivamente, refletindo as movimentações em torno dos custos produtivos.
Além disso, a redução no número de navios em circulação limita a capacidade de importação para o Brasil, reforçando um cenário de atrasos nas entregas e menor volume disponível no mercado. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos de frete e seguro mantém elevado o custo de transporte, resultando em reajustes generalizados de preços. Com esse cenário, aumentam as incertezas quanto a uma melhora significativa nos próximos meses, enquanto as oportunidades no mercado de defensivos agrícolas se tornam cada vez mais escassas.
Fonte: Equipe Global Crop Protection
Fonte da imagem: Magnific



