COLUNISTAS
Safra 2024/25, um balanço na cultura da soja
“No tocante ao manejo sanitário, o controle preventivo de doenças e pragas mostrou-se fundamental em quaisquer situações de clima”

Ricardo Balardin, engenheiro agrônomo, PhD e CRO da DigiFarmz.
A safra de grãos 2024/25 do Brasil deve alcançar a marca histórica de 328,3 milhões de toneladas, representando um aumento de 10,3% em relação ao ciclo anterior. Este crescimento se deve principalmente à expansão da área plantada, que atingiu 81,6 milhões de hectares, e ao avanço na produtividade média.
No caso da soja, a produtividade média ficou em 60,5 sacas/ha, representando um acréscimo de 9,2% em relação à safra passada. Deve ser destacado o valor histórico de 67 sacos/hectare obtido na Bahia, seguido de Minas Gerais (66 sacas/ha), Goiás (65,5 sacas/ha), São Paulo (64,5 sacas/ha), Mato Grosso e Paraná (63 sacas/ha). Os demais estados apresentaram valores médios de produtividade abaixo dos 60 sacas/ha).
Este resultado poderia ter sido superior se a estiagem extrema no Sul (principalmente RS) não tivesse afetado drasticamente a produtividade, que ficou em 49 sacas/hectare. Apesar do leve aumento na área cultivada do RS, houve queda de 17,4% na produção devido ao clima adverso, totalizando 15 milhões de toneladas.
Durante diversas safras os valores médios da produtividade no Brasil estiveram ao redor de 50 sacas/hectare. Hoje, este valor é considerado baixo, tanto pelo avanço tecnológico que representa como pelo custo elevado de insumos. Se for considerado métricas de retorno sobre investimento, os produtores ainda se sentem ameaçados pelas margens líquidas decrescentes que a lavoura de soja vem apresentando. Em tempos de câmbio oscilante e com tendência de alta, aliado a um mercado internacional imprevisível, cujas ações políticas tendem a apresentar pressão importante sobre os preços, o mercado de soja mostra um bom grau de preocupação.
Se forem considerados os fatores estritamente relacionados à produtividade, fica evidente o papel preponderante do clima. Onde não houve restrições ao longo da safra, as médias obtidas foram elevadas, enquanto nos locais onde houve limitações a produtividade foi baixa. Em termos médios, solo, manejo agronômico e genética mostram-se ajustados para a maximização das altas produtividades. A análise de dados médios encobre situações regionais ou mesmo pontuais onde algum nível de restrição pode ocorrer. Mesmo que tenhamos obtido valores considerados elevados, cuidados com correções químicas e físicas no perfil do solo são fundamentais. Mesmo nas áreas castigadas por estiagens, propriedades sem solos compactados ainda mostraram melhor enfrentamento para a falta de água. No tocante ao manejo sanitário, controle preventivo de doenças e pragas mostrou-se fundamental em quaisquer situações de clima. O controle de plantas daninhas, problema cuja severidade vem crescendo, tem se mostrado mais complexo a cada safra. O aumento no número de plantas resistentes e a baixa durabilidade da resistência dos eventos lançados ultimamente deve ser um ponto de reflexão para todos.
A dessecação das lavouras de soja no momento certo, é um aspecto considerado relevante por diversos consultores. O conjunto de práticas sanitárias é considerado essencial para manter a qualidade dos grãos ou mesmo para que a semente produzida apresente qualidade fisiológica e patológica mínima. Em diversas situações, a plantabilidade das lavouras foi comprometida devido ao uso de sementes de baixa qualidade. Na medida que a área semeada cresce, é igualmente crescente a demanda por sementes.
Devido a diversos problemas ocorridos na implantação das lavouras, foi observado, em determinadas regiões, concentração das semeaduras o que acabou por acarretar uma concentração da colheita podendo gerar desafios logísticos, aumentando os custos e dificultando o escoamento da produção, o que exige estratégias para minimizar impactos.
Finalmente, a principal commodity do Brasil, mesmo que ainda sendo colhida em diversas regiões do País, passa pela euforia dos bons resultados, mas sente a preocupação devido à incerteza do cenário futuro.
O uso de tecnologias na agricultura é uma realidade e tornou-se essencial para enfrentar os desafios da produção e aumentar a eficiência no campo. Soluções como a DigiFarmz, única no mercado ao oferecer recomendações agronômicas inteligentes com base em dados científicos e soluções que se adaptam à realidade de cada lavoura, permitem que produtores tomem decisões mais assertivas, reduzindo riscos e maximizando a produtividade. Em um cenário de incertezas climáticas e custos elevados, contar com ferramentas avançadas é fundamental para garantir colheitas mais seguras e sustentáveis, consolidando o Brasil como um líder global no agronegócio.
Ricardo Balardin
CSO & Founder da DigiFarmz
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia/Fitopatologia e Ph.D. pela Michigan State University