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Safra 2025/26 registra forte pressão de plantas daninhas resistentes em diversas regiões produtoras


Por Leonardo Furlani, coordenador técnico da DigiFarmz 

A safra de verão 2025/26 ficará marcada, em muitas regiões produtoras de soja do Brasil e Paraguai, pela elevada pressão de plantas daninhas resistentes e pelas dificuldades de controle observadas ao longo do ciclo. Nas últimas semanas, técnicos e produtores relataram a presença frequente de áreas com infestações estabelecidas e controle insuficiente, reflexo direto do avanço da resistência e da crescente complexidade do manejo.

Neste momento da safra, em grande parte das regiões agrícolas, a cultura já avançou e muitas decisões de manejo que poderiam ter reduzido o problema já ficaram para trás no calendário agronômico.

Segundo Leonardo Furlani, coordenador técnico da DigiFarmz, a disseminação de plantas daninhas resistentes deixou de ser um fenômeno pontual para se tornar um padrão observado em diferentes regiões e sistemas produtivos.

“A presença de áreas infestadas por espécies resistentes, muitas vezes já fora do ponto ideal de controle, tem sido cada vez mais comum. Isso mostra como o manejo ficou mais complexo e como decisões antecipadas fazem toda a diferença ao longo da safra”, explica.

Infestações consolidadas e redução de produtividade

De acordo com Furlani, quando a infestação está em estágios avançados, as opções de manejo já são bastante limitadas. O impacto, então, se traduz principalmente na redução da produtividade da cultura, em aumento de custo, dificuldade operacional e maior pressão para a safra seguinte.

Diversas plantas daninhas resistentes vêm sendo relatadas nos últimos anos, embora tenha uma variação de local para local. Entre as espécies mais recorrentes estão buva, caruru, picão-preto, capim-pé-de-galinha, capim-amargoso, entre outros, cuja resistência a diferentes mecanismos de ação dificulta o controle, especialmente quando o manejo não é planejado e executado de forma integrada desde o início do ciclo.

O coordenador destaca que fatores como o estágio das plantas daninhas, a tecnologia da cultivar, nível de infestação, histórico de uso de herbicidas e histórico de cada talhão influenciam diretamente a eficácia das estratégias adotadas. Em muitos casos, práticas como dessecação sequencial, uso correto de pré-emergentes, posicionamento preciso de pós-emergentes, e até dessecação pré-colheita são determinantes.

Resistência consolidada como problema de sistema

Para Furlani, o padrão observado nesta safra reforça uma mudança já consolidada no campo: a resistência deixou de ser atribuída apenas a produtos específicos e passou a ser entendida como resultado do sistema de manejo adotado ao longo dos anos.

“O simples não funciona mais. O uso repetitivo e inadequado de uma mesma tecnologia, como ocorreu historicamente com o glifosato, contribuiu para o cenário atual. A resistência não é mais um problema de herbicida, é um problema de sistema”, afirma.

Nesse contexto, decisões baseadas em dados e planejamento técnico tornam-se cada vez mais essenciais para evitar que a pressão observada nesta safra se repita ou se intensifique nos próximos ciclos.

Tecnologia como suporte às decisões futuras

Diante do avanço da resistência e da crescente complexidade do manejo, a DigiFarmz, empresa de tecnologia aplicada ao agro que utiliza dados e inteligência agronômica para apoiar técnicos e produtores na tomada de decisões mais eficientes no campo, prepara o lançamento de uma nova funcionalidade voltada ao manejo de plantas daninhas. O objetivo é apoiar agrônomos, técnicos e produtores na escolha das estratégias mais adequadas para cada área, com base em informações estruturadas.

 

Fonte da imagem:  Leonardo Furlani – DigiFarmz

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