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Soja safrinha amplia riscos sanitários e pode elevar pressão de doenças nas próximas safras, alerta especialista


Ricardo Balardin, engenheiro agrônomo, PhD e CRO da DigiFarmz.

A expansão da soja safrinha tem sido vista por muitos produtores como uma alternativa para melhorar o equilíbrio financeiro da propriedade. No entanto, do ponto de vista técnico, o sistema pode representar um aumento significativo do risco fitossanitário e da pressão de doenças ao longo do tempo.

Essa é a avaliação do Ricardo Balardin, CRO da DigiFarmz Smart Agriculture, em análise sobre os impactos da presença prolongada da soja no campo ao longo do ano agrícola.

Segundo ele, a discussão sobre a safrinha precisa ser feita sob duas perspectivas distintas: econômica e técnica. Financeiramente, a estratégia pode fazer sentido em determinados contextos, especialmente quando contribui para diluir custos ou aproveitar condições de mercado favoráveis. Já do ponto de vista sanitário, o cenário é mais preocupante.

Presença contínua da soja favorece doenças

Balardin explica que a repetição da cultura prolonga a disponibilidade de hospedeiro para patógenos, criando condições ideais para a sobrevivência e multiplicação de doenças.

Com a soja presente no campo por um período que pode se estender de setembro a maio, o ambiente se torna favorável ao acúmulo de inóculo de doenças foliares e radiculares, além de nematoides. Entre os principais problemas associados estão ferrugem, manchas foliares e doenças de solo.

“A safrinha funciona como um prolongamento da presença do hospedeiro. Isso favorece a sobrevivência de fungos e nematoides aumentando a pressão sanitária para as safras seguintes”, explica.

Mesmo em regiões com inverno mais definido, a redução das temperaturas nem sempre reduz o risco. Segundo o especialista, o frio pode preservar estruturas dos patógenos, aumentando a pressão de inóculo para as safras seguintes.

Ganhos de curto prazo podem gerar custos no longo prazo

Embora produtores relatem bons resultados produtivos na safrinha, Balardin alerta que a avaliação deve considerar horizontes mais longos.

O problema central, segundo ele, é o acúmulo progressivo de inóculono sistema produtivo. Quanto maior o período com a mesma cultura no solo, maior a tendência de aumento da pressão de doenças e, consequentemente, da necessidade de intervenções químicas e do custo de manejo. Além disso, cenários climáticos mais favoráveis à ocorrência de doenças podem intensificar ainda mais os riscos nas temporadas futuras, e.

Alternativas ao modelo de repetição da cultura

Na avaliação do pesquisador, a adoção contínua da soja safrinha deve ser analisada com cautela. Ele defende que a diversificação de culturas pode reduzir a pressão sanitária e contribuir para maior estabilidade do sistema produtivo ao longo do tempo.

Entre as alternativas, estão a sucessão de cultivos de inverno ou rotações culturais  que interrompam o ciclo dos patógenos e reduzam a dependência da repetição da soja como principal opção econômica.

“Existe um benefício financeiro em alguns casos, mas tecnicamente é uma situação de alto risco. No longo prazo, o sistema tende a cobrar um preço elevado”, afirma.

Planejamento sanitário ganha importância estratégica

O debate sobre a soja safrinha reforça a necessidade de decisões baseadas em planejamento agronômico e visão de longo prazo, especialmente diante do aumento da pressão de doenças observado em diferentes regiões do Brasil. Sistemas com base em rotações e sucessões culturais são importantes para uma estabilidade do sistema produtivo.

A DigiFarmz é uma empresa especializada em inteligência agronômica e suporte à tomada de decisão no campo, por meio de dados e tecnologia aplicada à produção agrícola.

Em um cenário de maior complexidade fitossanitária, análises técnicas mais precisas e estratégias de manejo integradas tendem a ser cada vez mais decisivas para preservar a sustentabilidade produtiva das áreas agrícolas.

 

Fonte da imagem: Freepik

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