USO E APLICAÇÃO

China avança no manejo da podridão da coroa em trigo


A China registra ocorrência anual de podridão da coroa causada por Fusarium em mais de 6,67 milhões de hectares de trigo. Nas áreas mais afetadas, as perdas de produtividade variam de 10,69% a 51,57%. Um estudo de oito anos, publicado no Journal of Plant Protection em 2026, apresenta o primeiro levantamento sistemático da doença nas regiões produtoras de trigo do país.

O trabalho foi conduzido pelo Instituto de Proteção de Plantas da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e pela Academia de Ciências Agrícolas de Henan. A pesquisa avaliou a distribuição geográfica da doença, a estrutura populacional dos patógenos, o impacto sobre a produtividade e o desempenho de um pacote de manejo integrado. A podridão da coroa do trigo, conhecida pela sigla FCR, é causada principalmente pelo fungo Fusarium pseudograminearum. A doença foi registrada pela primeira vez em Queensland, na Austrália, em 1951.

Atualmente, a FCR ocorre na África do Sul, Norte da África, Oriente Médio, Europa, Austrália, Canadá e Estados Unidos. Em Queensland e Nova Gales do Sul, as perdas de produtividade variaram de 19% a 26%, com perdas econômicas médias de cerca de 9,7 milhões de dólares australianos por ano entre 1999 e 2008.

Em áreas severamente afetadas, as perdas chegaram a 88,6%. No noroeste dos Estados Unidos, foram relatadas reduções de produtividade entre 9,5% e 35%. Na China, o primeiro caso confirmado ocorreu em Jiaozuo, na província de Henan, em 2012, e a área afetada tem aumentado desde então.

Distribuição e impacto regional

Na China, a doença ocorre todos os anos em mais de 6,67 milhões de hectares. Em Henan, a área afetada chegou a 563.600 hectares em 2021, abrangendo 138 municípios nas 18 cidades de nível de prefeitura da província. As regiões norte e central de Henan foram as mais afetadas, com perdas de produtividade de até 51%. A FCR também ocorre anualmente em Shandong, Hebei, na região de Guanzhong em Shaanxi, na bacia do rio Yangtzé e nas zonas de trigo de primavera do noroeste e de Hetao.

Perfil dos patógenos

Entre 2018 e 2025, os pesquisadores coletaram 6.140 isolados. Desse total, F. pseudograminearum representou 71,21%, consolidando-se como a espécie dominante em nível nacional. Nas cinco principais províncias produtoras de trigo do norte — Henan, Hebei, Shandong, Shanxi e Shaanxi — a frequência da espécie variou de 85,61% a 95,85%, com média de 90,18%. No sul, em Jiangsu, Anhui, Hubei e Sichuan, predominaram F. asiaticum e F. graminearum. Essa composição difere da observada no Reino Unido e na Turquia, onde F. culmorum é a principal espécie associada à doença.

Perdas de produtividade

Em áreas com pressão típica da doença, as perdas de rendimento em cultivares suscetíveis variaram de 8,40% a 12,72%, com média de 10,52%. Nos campos severamente afetados, as perdas ficaram entre 10,69% e 51,57%, com média de 25,12%. O estudo identificou correlação positiva e significativa entre a perda de rendimento e a proporção de espigas brancas na fase de enchimento de grãos.

Manejo integrado em campo

Por ser uma doença transmitida pelo solo, com sintomas de difícil detecção e causada por um complexo de espécies, os autores defendem que a FCR seja manejada de forma preventiva e por região, e não apenas de maneira reativa. Para a zona de Huang-Huai-Hai, de alta incidência, foi desenvolvido um pacote de manejo integrado. A estratégia combina cultivares moderadamente resistentes, tratamento ou revestimento de sementes, semeadura mais tardia dentro da janela agronômica e aplicação direcionada de fungicidas entre a fase de perfilhamento e o alongamento do colmo.

O pacote também inclui ajustes no manejo de água e fertilizantes. Entre os tratamentos de sementes e formulações de pulverização com bom desempenho estão ciclobutrifluram FS, protioconazol + fludioxonil + tiametoxam FS, difenoconazol + fludioxonil + tiametoxam FS, fenamacril SC e protioconazol SC. As cultivares moderadamente resistentes foram identificadas por infecção natural e inoculação artificial.

Em testes demonstrativos nos condados de Shanghe, Shandong, Yanjin e Henan, a abordagem reduziu a incidência da doença em mais de 90%, chegando a 99,21%. A eficácia de controle em campo atingiu até 96,17%.

Relevância para outras regiões

A área afetada anualmente, superior a 6,67 milhões de hectares, indica uma demanda relevante por soluções de tratamento e revestimento de sementes em cereais. A presença do ciclobutrifluram entre os ingredientes ativos com desempenho positivo também sinaliza o avanço da química SDHI no manejo de doenças em cereais. O predomínio de F. pseudograminearum no norte da China, em contraste com regiões da Europa e do Oriente Médio onde F. culmorum é mais frequente, oferece referência para o posicionamento de produtos por espécie-alvo e para o planejamento do manejo de resistência.

O modelo de manejo por zona, baseado em quatro componentes, foi validado em escala demonstrativa. Por isso, pode servir como referência para outras regiões onde a FCR está em expansão e o controle ainda depende principalmente de aplicações químicas.

Fonte: Agropages, publicado em 23/07/2026
Fonte da imagem: Magnific

Tags

Notícias Relacionadas

Close