USO E APLICAÇÃO
Nova ocorrência de amaranto-palmer em Santa Catarina reforça alerta sobre manejo da praga

Autoridades agrícolas brasileiras confirmaram uma nova ocorrência de Amaranthus palmeri — conhecida popularmente como amaranto-palmer ou bredo-gigante — no estado de Santa Catarina, marcando a mais recente expansão de uma das ervas daninhas resistentes a herbicidas mais problemáticas que afetam a agricultura mundial.
A detecção foi relatada pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário Integrado de Santa Catarina (Cidasc) em uma propriedade rural localizada em Campo Erê, na região oeste do estado. Após a confirmação laboratorial, as autoridades fitossanitárias iniciaram imediatamente medidas de contenção e erradicação para evitar a propagação.
Segundo Alexandre Mees, chefe do Departamento Estadual de Defesa da Saúde Vegetal do Cidasc, a espécie representa uma ameaça significativa devido às suas características biológicas e ao seu histórico de resistência a múltiplos modos de ação de herbicidas.
” O Amaranthus palmeri possui alto potencial de dispersão, enorme capacidade reprodutiva e um histórico bem documentado de resistência a herbicidas. A detecção precoce e a intervenção fitossanitária rápida são essenciais para prevenir seu estabelecimento e disseminação”, disse Mees.
A identificação foi confirmada por um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA). O diagnóstico combinou análises morfológicas e moleculares, incluindo exame microscópico e teste de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).
Resposta à quarentena ativada
Após a confirmação, o Cidasc implementou medidas estabelecidas pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle de Amaranthus palmeri do Brasil . A propriedade afetada foi colocada em quarentena, enquanto atividades de erradicação e levantamentos de delimitação estão sendo conduzidos em propriedades vizinhas.
As autoridades também estão intensificando os esforços de monitoramento em toda a região agrícola circundante para identificar possíveis infestações adicionais e impedir a movimentação de materiais contaminados.
Celles Regina de Matos, presidente da Cidasc, enfatizou a importância de se implementar um plano de resposta rápida.
“Santa Catarina possui um sistema de defesa agrícola estruturado e ágil. Estamos aplicando o protocolo oficial de erradicação para proteger a produção agrícola e conter essa praga quarentenária”, observou ela.
Uma erva daninha capaz de causar grandes perdas de produção.
Originária da América do Norte, a amaranto-palmer tornou-se uma das espécies de ervas daninhas mais prejudiciais à economia nas principais regiões produtoras de culturas em todo o mundo. Seu rápido crescimento — até três centímetros por dia em condições favoráveis — permite que ela supere as culturas na competição por água, nutrientes e luz solar.
A espécie é particularmente problemática devido à sua extraordinária produção de sementes. Plantas individuais normalmente produzem entre 200.000 e 500.000 sementes, embora alguns exemplares possam gerar mais de um milhão de sementes durante uma única estação de crescimento.
Além disso, as sementes podem permanecer viáveis no solo por vários anos, o que complica significativamente os esforços de manejo a longo prazo, uma vez que a erva daninha esteja estabelecida.
A ameaça é ainda mais amplificada pela resistência documentada a herbicidas amplamente utilizados, incluindo o glifosato e os inibidores da acetolactato sintase (ALS), duas ferramentas importantes nos sistemas de produção de soja e milho.
Expansão da presença no Brasil
O Brasil registrou pela primeira vez a presença de Amaranthus palmeri no estado de Mato Grosso em 2015. Detecções subsequentes ocorreram em Mato Grosso do Sul em 2022, seguidas por ocorrências confirmadas em São Paulo em fevereiro de 2026 e agora em Santa Catarina.
A contínua expansão geográfica destaca os desafios associados à prevenção da movimentação de sementes de ervas daninhas entre regiões agrícolas.
Segundo as autoridades brasileiras, máquinas agrícolas contaminadas continuam sendo a principal via de introdução do amaranto-palmer em novas áreas de produção. As sementes podem ser facilmente transportadas por meio de resíduos de solo e material vegetal aderidos a colheitadeiras, tratores, plantadeiras e outros equipamentos.
A prevenção continua sendo a melhor defesa
Os agrônomos enfatizam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz contra a erva daninha. As medidas recomendadas incluem a limpeza rigorosa das máquinas agrícolas, o uso de lotes de sementes certificadas, evitar insumos de origem desconhecida e o monitoramento contínuo das lavouras.
A identificação em campo também é crucial. O amaranto-palmer pode ser confundido com outras espécies de caruru, mas várias características ajudam a distingui-lo, incluindo folhas ovais com pecíolos mais longos que a lâmina foliar, ocasionais marcas brancas em forma de V nas folhas e estruturas florais femininas com brácteas pontiagudas em forma de espinho.
Fonte: Agropages – Leonardo Gottems, publicado em 23/06/2026
Fonte da imagem: Magnific



