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El Niño – Irregularidade climática pode trazer impactos para o mercado de defensivos na safra 26/27


O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de circulação atmosférica e de transporte de umidade, influenciando o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do mundo.

De acordo com nota técnica conjunta divulgada por INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM, as previsões do Climate Prediction Center (CPC/NOAA) indicam probabilidade superior a 95% de persistência das condições de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de extensão até o início de 2027. As projeções também apontam potencial para que o fenômeno atinja intensidade forte a muito forte, embora os impactos locais ainda dependam da interação com outros sistemas atmosféricos.

No Brasil, os efeitos esperados variam conforme a região. A tendência é de redução das chuvas no Norte e no Nordeste, maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e comportamento mais variável no Centro-Oeste e no Sudeste, onde o fenômeno tende a favorecer temperaturas mais elevadas, ondas de calor e maior irregularidade na distribuição das precipitações. Esse cenário pode interferir no calendário agrícola, na qualidade das operações de campo e na dinâmica de pragas e doenças ao longo do ciclo produtivo.

Dessa forma, o avanço do El Niño deve ser acompanhado não apenas como um risco climático, mas também como um fator capaz de alterar a dinâmica fitossanitária de maneira diferente entre culturas, regiões e fases do ciclo produtivo. Estudos recentes sobre a resposta de artrópodes agrícolas ao aquecimento indicam que os efeitos sobre pragas e inimigos naturais não são uniformes, variando conforme espécie, cultura e localização. Ainda assim, há sinais de que algumas pragas podem apresentar maior adaptação a temperaturas mais elevadas do que seus inimigos naturais, o que reforça a necessidade de monitoramento regionalizado.

Para o mercado brasileiro de defensivos agrícolas, a irregularidade climática tende a tornar-se a demanda mais dependente das condições observadas em campo, especialmente em soja, milho e cana-de-açúcar. Regiões com maior umidade podem ampliar a atenção sobre doenças e aplicações de fungicidas, enquanto áreas com calor persistente, seca ou veranicos podem favorecer pragas de solo, lagartas, sugadores e ácaros. Com isso, o planejamento de compras deve considerar não apenas o calendário tradicional de aplicação, mas também o histórico regional, a janela climática disponível e a necessidade de respostas mais rápidas ao longo do ciclo mediante a tendência do fenômeno climático.

 

Fonte: Equipe Global Crop Protection

Fonte da imagem: Magnific

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