ENTREVISTA

Derofilo Boldrini Junior – Superintendente Comercial da Coopercitrus – comenta as perspectivas da cooperativa para o mercado de defensivos


Derofilo Boldrini Junior – Superintendente Comercial da Coopercitrus – Engenheiro agrônomo com mais de 20 anos de experiência no agronegócio, incluindo atuação na Syngenta. Especialista em desenvolvimento e implementação de estratégias para agroquímicos, na área comercial e técnica, com foco em aumentar a segurança e a competitividade do produtor rural diante dos desafios de mercado e do fornecimento de insumos.

1. Dentro do cenário atual de pressão na cadeia de defensivos, quais categorias sentiram maior impacto neste ambiente desafiador e como isso tem influenciado disponibilidade, estratégia comercial e tomada de decisão do produtor?

Categorias de produtos com alto volume (dosagem alta/ha) baixo valor (valor Kg/lt), como glifosato, 2,4D. Estes produtos sofreram alta de preços na China, uma recuperação de margens, e o aumento de frete marítimo imapctou nos custos. Segmentando os produtos com maior impacto são os herbicidas.

Porém hoje temos um cenário de queda nos preços de matéria prima na China, sinalizando uma possível melhora nos preços, que só não refletirão neste primeiro momento pelo impacto de frete e possível falta pontual de algumas moléculas no início dos plantios. Para o 4° trimestre, temos uma sinalização de queda nos preços.

2. Diante de um produtor mais cauteloso, descapitalizado e seletivo nas decisões, como a cooperativa tem reposicionado sua abordagem para manter rentabilidade, relacionamento e venda?

Temos um plano estruturado por filial e fornecedores na geração de demanda, direcionamento estratégico do time comercial para estarem junto aos cooperados, entendendo as necessidades e realizando as melhores recomendações, diante deste cenário desafiador. E estamos focados na preparação técnica do time comercial, com intuito de sermos a referência técnica/comercial para o cooperado.

3. A cooperativa percebe uma mudança estrutural no timing de compra do produtor nos últimos ciclos? O produtor está mais tardio, mais oportunista ou comprando de forma mais fragmentada diante da volatilidade de preços e incertezas de mercado? Quais são as oportunidades e desafios para cada formato de compra?

Sim, o produtor mudou o perfil de compras, diante de acontecimentos do mercado. A pandemia o forçou a ser mais transacional nas compras, utilizando das ferramentas de cotação como whatsapp. O mercado após a pandemia, trouxe para ele situação de quedas contínuas nos preços de defensivos e especialidades, o qual comprando parcelado, próximo ao momento de uso, ele percebeu que estava comprando melhor, outro fator o custo financeiro, que forçou ele a isso. A grande oportunidade é a capilaridade da Coopercitrus e os estoques, o qual temos condições de estarmos próximos e com estoque disponível para atendê-los de forma rápida e ágil, porém enfrentamos um desafio de custos operacionais maiores e menores margens, forçadas pelo mercado e modelo de cotação.

4. Considerando os impactos climáticos recentes, quais culturas e regiões sentiram de forma mais intensa os efeitos do El Niño e quais reflexos isso trouxe para produtividade, pressão de doenças e estratégias de manejo adotadas pelos produtores?

Caso tenhamos um El Niño intenso, teremos um clima mais desfavorável ao centro oeste, porém na área de atuação da Coopercitrus, temos um cenário mais próximo da neutralidade, sofrendo algum impacto no estado do GO. Neste cenário podemos ter uma expectativa e melhora de preços de Soja/Milho, trazendo um cenário positivo aos produtores da região da Coopercitrus, melhorando o nível de investimento e minimizando possíveis problemas de crédito.

5. Como a cooperativa enxerga o mercado de defensivos para os próximos anos em termos de preços, demanda e oferta ao produtor?

O mercado de defensivos vem passando por grandes mudanças, entrada de empresas chinesas no mercado nacional, mercado hoje tem aproximadamente 70% dos produtos utilizados pós patente. Porém vemos um movimento grande das principais empresas no desenvolvimento de novas moléculas e lançamento de moléculas com grande potencial de crescimento e deslocamento de pós patentes. Para os próximos 5 anos teremos um mercado muito diferente do que temos hoje com outro perfil de produtos e manejo, entrando cada vez mais os biológicos no manejo e produtos com ação na fisiologia das plantas. Diante deste cenário estamos trabalhando cada vez mais no desenvolvimento técnico do time comercial, para estarem preparados, para suportarem os cooperados.

 

Equipe Global Crop Protection, 23/06/2026

Fonte da imagem: Magnific

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