ENTREVISTA

Flávio Lamanna – Gerente Sênior de Desenvolvimento de Mercado de Indigo – destaca avanços e desafios do mercado de defensivos biológicos


 

 

Flávio Lamanna, Gerente Sênior de Desenvolvimento de Mercado de Indigo

 

 

 

 

1.Quais segmentos do mercado de bioinsumos apresentaram maior crescimento em 2025 e quais foram os principais vetores dessa expansão?

O ano de 2025 foi histórico para o mercado de bioinsumos no Brasil, consolidando esses produtos como uma ferramenta indispensável de eficiência agronômica e de rentabilidade para o produtor. Segundo dados da CropLife Brasil, o setor no país movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025, representando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, com uma área tratada recorde que atingiu 194 milhões de hectares (um avanço expressivo de 28% na comparação com 2024).

Olhando sob a perspectiva de inovação biológica e bioinformática que defendemos na Indigo Ag, os destaques de crescimento e os motores que impulsionaram essa aceleração dividem-se em pilares claros:

  • Biofungicidas – Considerado o segmento que registrou a expansão mais agressiva em termos de faturamento, crescendo 41% em 2025 e movimentando R$ 1,4 bilhão.
  • Inoculantes e promotores de crescimento – Continuam sendo a tecnologia com maior penetração de área no país.
  • Bionematicidas e Bioinseticidas – Mantiveram uma trajetória sólida de adoção para o controle do complexo de pragas de solo (como nematoides) e insetos sugadores.

Na Indigo, acreditamos que essa consolidação de 2025 pavimenta o caminho para a agricultura regenerativa de larga escala. Não estamos apenas substituindo um produto por outro; estamos usando a biologia celular e a inteligência de dados para restaurar a engrenagem viva do solo, otimizar recursos naturais e gerar valor real para o produtor — tanto em sacas de grãos colhidas por hectare quanto em novas linhas de receita, como o mercado de carbono.

2. Como os preços médios dos bioinsumos evoluíram desde 2025 até o momento atual, e quais fatores, como aumento da concorrência, ampliação da oferta e diferenciação tecnológica, têm sido determinantes para essa dinâmica de mercado?

Olhando para o cenário atual em 2026, o mercado de bioinsumos vive um momento de transição. Se em 2025 tivemos recorde histórico de 194 milhões de hectares tratados com essa tecnologia, a dinâmica de preços e margens desde então passou a ser desenhada por forças de mercado muito mais maduras. Não estamos mais na fase em que “qualquer biológico serve”. Entramos na era da diferenciação e da consolidação de valor.

A rápida proliferação de novos players registrando produtos similares e focando puramente em estratégias de volume gerou uma forte disputa por preço no balcão. Em contrapartida, formulações complexas com múltiplos modos de ação, consórcios de micro-organismos (co-inoculação), endófitos de alta estabilidade de prateleira (shelf life) e biofungicidas inovadores conseguiram reter ou até valorizar seu preço médio. No entanto, a velocidade com que novas empresas e registros entraram no mercado (ultrapassando a marca de 900 produtos biológicos registrados no MAPA) criou um cenário onde a oferta de soluções biológicas de prateleira cresce em ritmo superior à demanda imediata. Assim, o preço de um bioinsumo passou a ser balizado pelo valor que ele entrega, não pelo seu custo de fabricação. Em 2026, a chave para sustentar preços saudáveis e capturar valor real é a evidência agronômica consistente.

Na Indigo, trabalhamos sob a premissa de que o microbioma do solo é uma engrenagem refinada. Quando desenvolvemos uma formulação biológica que combina biotecnologia e bioinformática, nós entregamos estabilidade de aplicação, resistência celular a estresses térmicos severos e proteção sistêmica. O agricultor está disposto a pagar um prêmio de preço por produtos que oferecem formulações inteligentes capazes de sobreviver na calda de pulverização junto aos defensivos químicos tradicionais sem perder a viabilidade celular. Mesmo que um biológico de alta tecnologia mantenha seu preço estável, o seu custo por hectare frente ao aumento do manejo 100% químico passou a fazer extremo sentido econômico no bolso do produtor, acelerando as decisões de adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

3. De que forma os agricultores estão reavaliando o uso de bioinsumos frente aos defensivos químicos, e quais mudanças de posicionamento foram observadas em relação ao ano anterior?

Essa é uma pergunta que toca no ponto de inflexão que estamos vivendo agora. Entre 2025 e 2026 os agricultores deixaram a fase da substituição ideológica entrando na era da integração estratégica. Converso diariamente com grandes produtores, e a forma como eles avaliam o bioinsumo mudou drasticamente.

No passado recente, o bioinsumo era muitas vezes posicionado como um “substituto verde” ao químico. O agricultor de 2026 já entendeu que essa visão é limitante. A reavaliação atual baseia-se na sinergia. Os defensivos químicos continuam tendo um papel crucial para o efeito de “choque” e controle imediato de picos populacionais de pragas e doenças. No entanto, o uso contínuo e exclusivo da química gerou a perda de eficácia de muitas moléculas (resistência) e a degradação da vida no solo. A grande mudança de posicionamento deste ano é que o produtor passou a usar o bioinsumo como a base (o alicerce) do manejo, deixando a química para as intervenções cirúrgicas. Soluções biológicas aplicadas no tratamento de sementes ou no sulco de plantio asseguram proteção residual prolongada e fortalecimento da planta desde a germinação. É a biologia protegendo o investimento da química e prolongando a vida útil dessas moléculas no mercado.

Para a Indigo, essa mudança de mentalidade é o cenário ideal. O agricultor atual sabe que o solo não é apenas um substrato físico para segurar a planta; é um reator biológico vivo. A adoção da agricultura regenerativa em larga escala só está sendo possível porque estamos entregando dados, biotecnologia e resultados financeiros. O produtor percebeu que, ao integrar soluções biológicas avançadas, ele aumenta a saúde do seu maior patrimônio: a terra. O bioinsumo, hoje, é tecnologia de ponta disfarçada de natureza.

4.Quais foram as principais inovações e lançamentos de bioinsumos e como essas novas tecnologias podem impactar na produtividade e no manejo integrado das lavouras?

Se nos últimos anos o mercado estava focado em descobrir quais micro-organismos funcionavam, a safra 2025/2026 marcou a era de descobrir como fazê-los funcionar em larga escala e de forma mais eficiente, mesmo sob condições extremas. A inovação deixou de ser apenas biológica e passou a ser tecnológica, impulsionada por algoritmos e engenharia de formulação.

Recentemente, a Indigo anunciou a chegada do biotrinsic DualBlocker. Desenvolvido para atuar diretamente no sistema radicular e no interior da planta, o DualBlocker apresenta dupla ação pois, atua como importante ferramenta no manejo de fungos e nematoides que representam algumas das principais ameaças às lavouras. Entre os alvos estão os nematoides Heterodera glycines (cisto da soja), Meloidogyne incognita (galha) e Pratylenchus brachyurus (lesão), além do fungo Fusarium solani, associado a perdas relevantes de produtividade em diversas culturas e frequentemente ligado a prejuízos significativos nas lavouras quando presente em altas populações.

Ensaios conduzidos em laboratório, casa de vegetação e campo demonstram resultados expressivos. Em média, o biotrinsic DualBlocker promove redução de 48% nos ovos de nematoides presentes nas raízes, diminui em 50% a população de nematoides juvenis e reduz em 60% a incidência de Fusarium. Nos experimentos de campo realizados no Brasil entre 2022 e 2023, as áreas tratadas apresentaram incremento médio de até 7,8 sacas por hectare em cenários com alta pressão de nematoides. Com o lançamento do DualBlocker, a Indigo reforça sua estratégia de expandir o uso de soluções biológicas baseadas em ciência avançada para apoiar uma agricultura mais produtiva e sustentável.

5.Quais culturas e sistemas produtivos lideraram a adoção de bioinsumos em 2025 e quais oportunidades de crescimento ainda permanecem subexploradas quando comparadas ao cenário de 2024?

Como acompanhamos de perto através da nossa inteligência de dados e presença a campo da Indigo Ag, os números de adoção de bioinsumos refletem diretamente onde o produtor está sentindo mais dor (seja por clima ou custo) e onde ele enxerga o retorno sobre o investimento (ROI) de forma mais rápida. O salto que vimos de 2024 para 2025 não foi apenas em volume, mas na sofisticação do uso. No entanto, quando mapeamos o Brasil como a grande potência global da agricultura regenerativa, fica claro que ainda há “oceanos azuis” a serem explorados.

Apesar dos recordes de 2025, na Indigo nós olhamos para as assimetrias do mercado. Onde estão os hectares que ainda não receberam biotecnologia?

  • Pastagens e pecuária – O Brasil possui mais de 150 milhões de hectares de pastagens, grande parte em algum grau de degradação. Em 2024 e 2025, a penetração de bioinsumos aqui ainda foi tímida. O uso de bioinsumos para recuperar a biologia do solo em pastagens, controlar cigarrinhas-das-pastagens e melhorar o enraizamento das gramíneas é, de longe, a maior oportunidade de crescimento. Quando conectamos isso à agricultura regenerativa e aos créditos de carbono, recuperar essas áreas com biologia torna-se não apenas um ganho zootécnico, mas uma nova linha de receita para o pecuarista.
  • Culturas de inverno – Culturas de inverno no Sul do Brasil ou no Cerrado sofrem pressões extremas de estresse hídrico e geadas. O produtor de trigo ainda tem um perfil muito focado na química tradicional. O uso de endófitos mitigadores de estresse abiótico (como os que desenvolvemos na linha biotrinsic™) tem um potencial brutal nessas culturas. Preparar a semente do trigo com um escudo biológico para tolerar o déficit hídrico é um mercado gigantesco que começou a ser desbravado com mais força apenas agora.
  • Integração das culturas – Sistemas integrados crescem no Brasil, mas o manejo fitossanitário ainda é tratado de forma fragmentada. Desenvolver protocolos biológicos específicos para áreas de transição (ex: resíduos biológicos que beneficiam tanto o pasto quanto a soja que virá na sequência). O bioinsumo será a peça fundamental que fará a rotação de culturas do ILPF atingir seu teto de eficiência de reciclagem de nutrientes.

6.Quais são as expectativas para o desempenho do mercado de defensivos biológicos em 2026 em termos de área tratada, valor movimentado e lançamento de novas tecnologias?

Para o ano de 2026, projetamos um avanço de cerca de 17% no mercado de biológicos no Brasil, consolidando a transição dessa tecnologia de uma “tendência” para o pilar estratégico central da agricultura moderna. Vejo 2026 como um ano de expansão e um momento em que o mercado global passa a olhar para o Brasil como o grande laboratório e exportador da inovação biológica em larga escala. Estamos deixando a fase de adoção experimental e entrando na fase da alta performance exigida pelo Manejo Integrado. Como o setor ganhou quase 50% mais empresas nos últimos anos (chegando a mais de 200 companhias e 1.500 produtos registrados), os produtos biológicos de baixa diferenciação tecnológica (os genéricos) entraram em uma severa guerra de preços. Portanto, o produtor aplicará muito mais biológico em volume, mas o preço médio desses insumos básicos cairá. Esse é um desafio de mercado.

Para a Indigo Ag, esse cenário é extremamente favorável. Ele limpa o mercado. O produtor que busca o “barato” vai focar no volume, mas os líderes de produtividade vão migrar seus investimentos para biotecnologias premium, onde o valor financeiro é sustentado pelos resultados matemáticos da colheita. No front tecnológico, as inovações que dominarão 2026 estão focadas em resolver as dores mais complexas do agricultor e impulsionar a agricultura regenerativa.

 

Equipe Global Crop Protection, 24/06/2026

Fonte da imagem: Magnific

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