USO E APLICAÇÃO

Estudos mostram como a semeadura precoce e os herbicidas residuais impactam a soja


Pesquisas publicadas recentemente na revista Weed Technology mostram que as lavouras de soja semeadas precocemente quase sempre resultaram em rendimentos maiores, e que quaisquer reduções no stand da soja devido ao uso de programas de herbicidas residuais no solo não contribuíram para a perda de produtividade em comparação com programas de herbicidas sem eles.

Os pesquisadores do estudo realizaram experimentos de campo durante 2024 e 2025 em três Centros Agrícolas de Purdue (CAP) em latitudes que representam regiões agrícolas do norte, centro e sul de Indiana. Esses locais incluíam: o CAP de Pinney, próximo a Wanatah, ao norte; o CAP de Throckmorton, próximo a LaFayette, no centro de Indiana, e o CAP do Sudeste (SE), próximo a Butlerville.

Os experimentos constataram que “uma data de semeadura precoce resultou em um rendimento maior do que para datas de semeadura intermediárias, tardias e finais em todos os anos-local, exceto no SEPAC 2024”, afirma Estevan G. Cason, Assistente de Pesquisa de Pós-Graduação do Departamento de Botânica e Fitopatologia da Universidade Purdue, e autor correspondente do estudo. “Naquele ano-local, temperaturas drasticamente mais baixas após o plantio causaram uma redução de 35% na soja semeada de forma precoce em comparação com a semeadura tardia, resultando em uma redução de 15% na produtividade.”

No geral, a semeadura precoce durante os experimentos de campo correlacionou-se com contagens de stands de soja ligeiramente mais ralas (13 a 23%), em comparação com datas de semeadura posteriores, mas esses stands reduzidos apenas diminuíram os rendimentos durante o SEPAC 2024. Além disso, “a semeadura precoce resultou em um pouco mais de fitotoxicidade à soja (5 a 10%) devido a herbicidas residuais do que em datas posteriores de semeadura, mas [isso] não se traduziu em perda de produtividade”, relatam os pesquisadores. “A inclusão de herbicidas residuais em qualquer data de semeadura da soja, seja em dosagens totais ou reduzidas, não causou reduções na produtividade em comparação com programas sem herbicidas residuais.”

Outros resultados mostraram que o controle de plantas daninhas com herbicidas pós-emergentes (POST) “foi mais desafiador nas datas iniciais de semeadura do que nas posteriores, porque o plantio precoce resultou em maior densidade de plantas daninhas no momento da aplicação do POST”, relatam os pesquisadores. “A densidade de plantas daninhas e a biomassa na colheita da soja também foram maiores nos primeiros tratamentos de semeadura do que nos tratamentos tardios, principalmente porque as aplicações POST foram realizadas mais cedo na safra, permitindo o fluxo de emergência das plantas daninhas antes do fechamento do dossel da soja.”

Embora datas de semeadura precoces tenham resultando em maior cobertura do dossel no início da safra em comparação com a semeadura tardia, esse aumento da cobertura não contribuiu para uma melhor supressão de plantas daninhas. Na verdade, “a semeadura precoce resultou em um aumento de 2,5, 1,9 e 2,4 vezes na densidade de anserina-branca, ambrosia-gigante e caruru-de-água no POST, em comparação com a semeadura tardia, respectivamente, o que resultou em maior pressão de seleção para biótipos de plantas daninhas resistentes a herbicidas com herbicidas pós-emergentes.”

Assim, “a semeadura precoce gerou maior rendimento de soja, mas criou um cenário mais desafiador para o controle de plantas daninhas” para o futuro, resumem os pesquisadores. “Esse cenário subótimo de manejo de plantas daninhas em soja semeada precocemente pode levar a maior persistência de plantas daninhas difíceis de controlar no campo e, consequentemente, a maior pressão de seleção para biótipos de plantas daninhas resistentes a herbicidas.”

Fonte: Agropages, publicado em 24/07/2026
Fonte da imagem: Magnific

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