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Pesquisador da Embrapa José Ubirajara Moreira fala sobre o novo cultivar de soja e os impactos para o mercado de defensivos


Pesquisador da Embrapa Soja José Ubirajara Vieira Moreira, possui graduação em Engenharia Agronômica (1998) e mestrado em Genética e Melhoramento (2000) pela Universidade Federal de Viçosa (UFV/MG) e doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Esalq/USP (2005). Atualmente é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Londrina/PR, na área de Genética e Melhoramento de soja. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Melhoramento Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: registro e proteção de cultivares, melhoramento genético da soja, genética quantitativa e melhoramento de soja para atributos funcionais.

 

1- Para entendermos melhor o contexto do que é um cultivar, você poderia explicar a definição desta nomenclatura, segundo a Embrapa?

O termo cultivar ou variedade se assemelham. Em termos teóricos a cultivar é uma variedade cultivada, que são plantas de uma mesma espécie uniformes em suas características morfológicas e genéticas, de reações a doenças e estáveis na produção de grãos. Em resumo, são grupos de indivíduos que se relacionam por ascendência e se apresentam uniformes quanto às características fenotípicas. Na cultura da soja, as cultivares são Linhas Puras (Linhagens) que apresentam a homozigose genética (mesma constituição genética), obtida por gerações sucessivas de autofecundações.

 

2- Como funciona o desenvolvimento de um novo cultivar?

O início do desenvolvimento é a geração da variabilidade através de cruzamentos de parentais que apresentam as características de interesse para introduzir na futura cultivar. Na cultura da soja, a etapa seguinte é o avanço de gerações por autofecundações sucessivas para aumento da homozigose genética, ou seja, aumento de mesmos alelos em seus loci para a fixação de suas características de interesse. A terceira etapa é a seleção de indivíduos com os biotipos agronômicos de interesse que serão as linhagens. A quarta etapa é o processo de gerações, onde a linhagem passa por experimentação agrícola para a avaliação das diversas características de interesse; nesta etapa, avalia-se o valor de cultivo e uso da linhagem em diversos ambientes para a avaliação da adaptabilidade nos ambientes e a estabilidade de produção.

 

3- O que motiva a criação de um novo cultivar?

O desenvolvimento de cultivares é feito buscando determinados objetivos gerais e específicos. Os objetivos envolvem melhorias na qualidade da cultivar, como o aumento de produção, resistência às doenças, mudanças de ciclos produtivos e adequações aos sistemas produtivos etc. Ao final do processo, busca-se a entrega de cultivares superiores em produção e qualidade para atender às demandas dos agricultores e os diversos sistemas produtivos envolvendo a cultura da soja. O atendimento destas demandas são os motivos para a inovação e criação de novas cultivares.

 

4- Quanto tempo leva, em média, para um novo cultivar se popularizar e ganhar presença em campo?

O tempo de uma nova cultivar popularizar e ganhar a presença em campo é dependente da ação conjunta de difusão da tecnologia, da ação de marketing e ação comercial de forma arrojada e rápida. Hoje o mercado nacional de cultivares de soja é muito disputada, há empresas que lançam boas cultivares que podem participar de diferentes tipos de mercados. Mas, dependendo da eficiência da empresa, leva-se em média de um a dois anos após o seu lançamento para uma cultivar se estabelecer e ganhar presença em campo. Algumas cultivares apresentam um tempo curto de 4 a 5 anos após lançamento de presença no mercado, como outra pequena parte de cultivares permanecem um tempo mais longo no mercado chegando de 10 a 15 anos.

 

5- Quais os principais benefícios de um novo cultivar de soja lançado?

Os benefícios podem ser os mais diversos possíveis e estão associados muito aos objetivos para que foram desenvolvidos. Mas, o principal benefício aparece através do aumento da produtividade de grãos, seguido pelo segundo maior fator que é a resistência às principais doenças que apresentam problemas mais severos a determinadas regiões. De forma geral, estes dois fatores irão garantir maior estabilidade de produção de uma nova cultivar utilizando menos insumos (principalmente defensivos agrícolas) promovendo ganhos para todo o sistema de produção sojícola nacional.

 

Fonte: Equipe Global Crop Protection, 25/04/2022

Fonte da Imagem: Embrapa

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