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Anvisa sinaliza que herbicida paraquate pode ser proibido no país

Anvisa sinaliza que herbicida paraquate pode ser proibido no país


Em debate acalorado ontem na comissão de Agricultura da Câmara, a superintendente de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Silvia Cazenave, afirmou que análises preliminares apontam que o paraquate, herbicida amplamente utilizado na agricultura, pode causar o mal de Parkinson e logo pode ter seu registro cancelado.

O defensivo, que é muito usado em plantações de soja, milho, algodão, café, laranja e em outras culturas  para o controle de ervas daninhas, vem sendo reavaliado pela Anvisa, que abriu consulta pública em 9 de outubro com a intenção de ouvir o setor produtivo e a sociedade sobre a possibilidade de  proibir a comercialização de produtos agroquímicos contendo este princípio ativo. Por enquanto, há um parecer preliminar da agência nesse sentido.

“Estamos estudando possíveis impactos dessa substância na saúde humana, mas o paraquate é de extrema gravidade tóxica e há evidências de que pode causar Parkinson. Isso seria um impeditivo para o seu registro”, disse.

Sílvia também citou que vários países permitem o uso desse herbicida com restrições, como os Estados Unidos, e que outros já o baniram há muitos anos. A China, por exemplo, está em fase de retirada de produtos com paraquate do mercado até 2016, informou. Ela ponderou, contudo, que o tema está em consulta pública até 16 de novembro e que ainda não há uma conclusão sobre a permanência ou não do registro desse herbicida.

Por outro lado, entidades do  agronegócio, como Aprosoja e Abramilho, que representam produtores rurais desses segmentos, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se posicionaram radicalmente contra a proibição do paraquate. A Andef e o Sindiveg, que reúnem empresas da indústria de defensivos no país, também se mostraram contrários à eventual quebra do registro. “Já vim para cá com a ideia clara de que estamos prestes a perder o [direito de comprar] paraquate”, afirmou o presidente da Abramilho, Alysson Paulinelli.

Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas, se esse herbicida fosse impedido hoje de ser vendido, haveria um custo adicional de R$ 407 milhões ao agronegócio brasileiro com o uso de produtos alternativos que não têm a mesma eficácia.

Para o professor Ângelo Zanaga Trapé, que comanda um programa de estudos dos efeitos de agroquímicos na saúde humana, as pesquisas indicam que o paraquate, apesar de tóxico, não coleciona casos de contaminação. “Já avaliei mais de 30 mil produtores nas últimas décadas e nenhum foi contaminado.”

A polêmica em torno da proibição de alguns agroquímicos, ou redução de uso, vem ganhando força na agenda do governo, que deve lançar nos próximos dias o Programa Nacional para Redução de Agrotóxicos (Pronara). Ontem, foi publicado um decreto assinado pelo presidente Dilma Rousseff e pelos ministros instituindo o Pacto Nacional pela Alimentação Saudável, que também prevê a diminuição dos defensivos no campo.

Valor,  06/11/2015

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