USO E APLICAÇÃO

Safra 22/23 de soja registra aumento de 220% nos casos de ferrugem asiática


A ferrugem asiática, conhecida como a pior doença da cultura da soja, parece estar a pleno vapor. Dados do Consórcio Antiferrugem apontam 32 casos em todo o Brasil no começo de 2023.

O número pode parecer pequeno diante da abrangência do grão no país. Porém, no mesmo período de 2022, apenas dez ocorrências haviam sido registradas. Assim, até o momento, é possível observar um crescimento de 220% entre uma temporada e outra.

No ciclo 2021/22, 573 focos da praga foram computados, incremento de 48,8% ante à safra retrasada, com 385. Na atual, a considerar a área recorde de produção, estimada em 43,2 milhões de hectares pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a marca tende a ser maior.

Ainda assim, o pesquisador da Embrapa Soja, Rafael Soares, pondera que o clima é o fator mais importante nesta conta. “Evidente que quanto mais plantas de soja, mais chances há de aparecer a doença. Contudo, se o clima for semelhante ao dos anos anteriores, como na região Sul em que o tempo foi mais seco e tivemos menos casos, sendo que a maior parte da ferrugem apareceu na região central do Brasil, onde foi mais úmido, este ano podemos ter uma repetição, ainda mais porque teremos predominância de La Niña”, considera. Entretanto, os atuais índices contradizem essa lógica.

O Paraná vem liderando os reportes de ferrugem asiática até este início de ano. Por lá, já foram constatados 15 casos, número que sobe para 42 se lavouras com presença de esporos e registros da doença em soja voluntária também forem considerados. Por enquanto, nenhum município do estado computou mais de um caso.

São Paulo aparece em seguida, com oito ocorrências. Itaberá, no sudoeste do estado, é o único a ter dois casos, até o momento. Mato Grosso do Sul registrou quatro até esta sexta-feira, enquanto Mato Grosso possui dois. Fechando o quadro, Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina surgem com uma ocorrência de ferrugem asiática cada.

Nesta safra 2022/23, assim como em todas as demais computadas pelo Consórcio Antiferrugem (desde 2004/05), o maior número de casos da doença tem ocorrido no estádio R5 da soja, que é a fase de enchimento das sementes. Soares, da Embrapa, destaca que esse dado comprova que o aparecimento da ferrugem se dá em fase mais tardia.

“Por isso, é importante que as aplicações de fungicidas sejam preventivas, mas não de forma exageradamente precoce. Muitos agricultores costumam fazer as aplicações logo no estádio vegetativo, mas os próprios dados do Consórcio mostram que ocorrência de ferrugem em V3 ou R1 e R2 são exceções”, detalha o pesquisador.

 

 

Fonte: Canal Rural, 06/01/2023

Fonte da Imagem: Pixabay

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