COLUNISTAS

Agricultores modernos demandam aperfeiçoamento constante


A tecnologia é parte importante da vida moderna. Aplicada a todas as áreas do conhecimento, a inovação aproxima pessoas em tempos de isolamento e facilita operações, sejam elas simples ou complexas.

Em campos da ciência, como a medicina, aparelhos de laparoscopia equipados com câmeras de alta definição, por exemplo, tornaram cirurgias bem menos invasivas e muito mais seguras. E o que dizer então da robótica? Hoje, indústrias automotivas, entre outras, já usam robôs na montagem de carros e máquinas sofisticadas.

Na agricultura, a inovação também trouxe precisão com economia de recursos naturais e econômicos. Sistemas de irrigação modernos utilizam o mínimo necessário de água. O mapeamento por satélite e a instalação de sensores dentro das lavouras, permitem apontar o local correto e momento exato para aplicar defensivos e fertilizantes. Essas são apenas algumas das inovações que já fazem parte do cotidiano de inúmeras fazendas.

No entanto, para usar tecnologia no campo com eficiência e segurança, é preciso saber manejar equipamentos e substâncias. Sem isso, os investimentos podem não ter o retorno esperado.

Afinal, de nada adianta pagar milhões por uma colhedora moderna – que lê o mapa das áreas de cultivo, se adapta às ondulações do terreno e ainda aponta o teor de umidade dos grãos e a quantidade colhida – se o operador da máquina não tiver o conhecimento necessário para captar e entender essas informações.

Ou seja, nenhuma tecnologia fará milagre se quem estiver por detrás dos equipamentos e telas de computadores para analisar dados, não tiver passado pela escola ou bons programas de treinamento para entender como tirar o máximo proveito das novas ferramentas.

Ao longo do tempo, muitas iniciativas foram implementadas com o objetivo de qualificar mão-de-obra especializada para atender a nova realidade das propriedades rurais brasileiras. Cooperativas, institutos de pesquisa e extensão e empresas privadas, vêm investindo em programas de treinamento e capacitação nas mais diversas áreas. E o agricultor não só precisa como quer adotar tecnologias inovadoras.

Novos tempos, novos agricultores

O avanço na jornada sustentável da agricultura, vai exigir, cada vez mais, acesso à inovação. Se hoje ela é uma grande aliada do agronegócio, no futuro próximo espera-se que seja ainda mais inclusiva. Por isso, é importante saber quem é o agricultor rural – grande agente dessa transformação no campo – e como ele está instrumentalizado.

Com esse objetivo a Croplife Brasil conduziu um estudo em parceria com a Ernst & Young (EY) – uma das maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, O estudo “Inovação no Agronegócio e a qualificação do produtor brasileiro na era digital” revela o grande o interesse dos trabalhadores rurais na adoção de tecnologias que otimizem as práticas no campo, economizem recursos e aumentem a renda das propriedades.

Com formação escolar mais completa, olhar técnico para o negócio e grande abertura para o uso de tecnologia, a nova geração de produtores vem assumindo protagonismo numa agricultura que precisa se manter competitiva, enfrentando complexos desafios decorrentes dos impactos das mudanças climáticas e das exigências regulatórias.

Na faixa etária entre 25 e 44 anos, correspondente a 58% dos pesquisados, foi constatado que 95% têm maior familiaridade em relação ao uso da internet na busca por informações sobre o clima, técnicas ou cotações. A principal forma de acesso é o smartphone (38,5%).

No entanto, o aproveitamento dos benefícios das tecnologias depende diretamente de seu entendimento e correta utilização, fatores que ainda constituem grandes desafios aos desenvolvedores de inovação, ao governo e ao próprio agricultor, pois demandam, cada vez mais, maior escolaridade e qualificação dos trabalhadores rurais. Em conformidade com esse cenário, o estudo revela uma proporção maior de produtores jovens com níveis médio e superior de escolaridade, equivalente hoje a 30,1% contra 23,6% em 2016.

Mesmo para atividades consideradas corriqueiras e já praticadas na maioria das propriedades ainda há muito o que aprender. É o caso do manuseio e aplicação de defensivos agrícolas

Conhecimento traz segurança

A melhor forma de garantir o uso correto, a eficiência e, principalmente, a segurança dos trabalhadores, consumidores e do meio ambiente é, sem dúvida, o conhecimento.

Por isso, por meio de um decreto (№ 10.833, 07/10/2021), ano passado o governo federal tornou obrigatória a capacitação e o registro de aplicadores de agrotóxicos e afins, incluindo a agricultura familiar, em todo o território nacional. O prazo para que todos cumpram a lei vai até dezembro de 2026.

Para auxiliar quem precisa se adequar às novas regras, a CropLife Brasil, em parceria com o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), vem implantando o Programa de Habilitação de Agricultores e Aplicadores de Defensivos Agrícolas.

A primeira etapa da cooperação, prevê a realização de cursos de nivelamento e atualização para instrutores do SENAR em cada administração regional, apresentando novos conteúdos e ampliando a capacidade de realização de aulas práticas em todos os estados do Brasil.

Para compreender as necessidades e os temas de maior interesse, na fase de preparação do programa, foi realizada uma pesquisa junto aos instrutores. Assim, o curso foi desenvolvido sob medida. A primeira onda de atualização, que começou em novembro de 2021, beneficiou 135 instrutores e a segunda fase do curso começa no final de março. A meta é atualizar mais de mil instrutores até o fim de 2023

Conteúdo abrangente

O conteúdo dos treinamentos aborda, entre outros temas, as formas de exposição direta e indireta aos defensivos agrícolas químicos e biológicos; sinais e sintomas de intoxicação e primeiros socorros; rotulagem e sinalização de segurança; higiene durante e após o trabalho; uso, limpeza e manutenção das vestimentas e outros equipamentos de proteção individual; uso correto dos equipamentos de aplicação; cuidados no armazenamento e transporte de defensivos nas fazendas; assim como o destino final de embalagens. Sem falar que, o programa contempla outros assuntos de interesse dos instrutores. Entre eles, medidas para evitar resíduos em alimentos, conservação do meio ambiente e polinizadores, uso de produtos biológicos e manejo integrado de pragas.

 

Christian Lohbauer é presidente executivo da CropLife Brasil

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