ANÁLISES GCP
Preços na indústria chinesa mantiveram-se estáveis em julho/26, apesar da alta nos custos energéticos

Julho de 2026 foi marcado pela retomada das hostilidades entre Irã e Estados Unidos. No início do mês, havia otimismo em relação a uma condução mais diplomática das negociações e à possibilidade de um acordo definitivo no médio prazo, uma vez que os negociadores dos dois países haviam assinado, em meados de junho de 2026, um memorando de entendimento. Apesar disso, ainda persistiam posicionamentos contrários de diferentes partes envolvidas, como a questão nuclear iraniana, a presença de Israel no Líbano e a reparação dos danos de guerra causados ao Irã. É importante destacar que o memorando assinado em junho tinha caráter provisório, funcionando principalmente como um protocolo de trégua para a desobstrução imediata de rotas marítimas, e não como um tratado de paz definitivo.
Os avanços diplomáticos iniciais tiveram reflexos positivos sobre o mercado, especialmente no que se refere aos custos energéticos. Entre 10 de junho e 10 de julho, a média das cotações futuras do petróleo Brent ficou em torno de US$ 78 por barril, patamar aproximadamente 30% inferior à média de abril de 2026, quando os preços atingiram máximas de US$ 118 por barril. No entanto, após novos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz e os subsequentes contra-ataques dos Estados Unidos a alvos no Irã, o efeito positivo do avanço nas negociações sobre as commodities energéticas se dissipou, abrindo espaço para uma nova onda de alta nas cotações futuras.
Com isso, julho de 2026 se encerrou com o petróleo Brent atingindo picos acima de US$ 100 por barril, rompendo a tendência de queda observada desde junho e elevando a média mensal das cotações para cerca de US$ 83 por barril. A nova alta refletiu, principalmente, a incerteza em torno da navegação no Estreito de Ormuz, as interrupções promovidas pelos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb, a forte elevação das tarifas de seguro contra riscos de guerra e os impactos sobre o escoamento do petróleo saudita.
Para o setor de proteção de cultivos, os efeitos dessa volatilidade geopolítica aparecem de forma direta nos custos produtivos dos defensivos técnicos de origem chinesa, cuja matriz energética tem dependência do petróleo do Oriente Médio. Esses impactos se distribuem por diferentes componentes de custos, incluindo embalagens, frete marítimo (pressionado pelo encarecimento do bunker e dos custos com seguros), solventes, intermediários químicos e outros derivados associados à cadeia do petróleo.
Por conta disso, desde o início do conflito no final de fev/26 até o período de maior pico nos preços em meados de abr/26, os preços dos defensivos técnicos na China aumentaram em média, cerca de 16%, antecipando o aumento dos custos produtivos. Com o avanço da diplomacia internacional, os preços começaram a demonstrar arrefecimento entre mai/26 e jun/26, porém os ganhos acumulados desde o início do conflito não foram totalmente revertidos, mesmo com o período de maior otimismo no mercado. Portanto, embora diversos ingredientes ativos tenham registrado quedas, os patamares de precificação permaneceram em média, cerca de 5% acima do observado no pré-guerra.
Partindo desse contexto, apesar da volatilidade no cenário global, os preços na indústria chinesa em jul/26 não demonstraram grandes variações, por conta principalmente de uma demanda enfraquecida, que impulsionou os recuos observados desde mai/26 e que limitou maiores altas ao longo de jul/26. Apesar disso, a instabilidade geopolítica manteve a pressão sobre os custos produtivos, especialmente em insumos vinculados à cadeia do petróleo, impedindo que novas quedas nos preços ocorram. Assim, apesar das oscilações pontuais, os preços dos defensivos na China permaneceram estáveis em julho de 2026 de forma geral, devido ao fato da baixa procura “compensar” os aumentos de custos da indústria.
Fonte: Equipe Global Crop Protection
Fonte da imagem: Magnific



