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Mais com menos: essa é a conta da sustentabilidade agrícola


O Brasil é campeão em exportação de soja, milho, café, açúcar, carnes bovinas e carnes de frango. Esses dados, referentes ao ano de 2021 e compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram a nossa liderança em diversos segmentos da agricultura. A comida produzida aqui vai para China, Estados Unidos, Países Baixos, Argentina, Japão, Chile, México, Alemanha, Espanha, Coreia do Sul e para outros mais de 140 países. Sem dúvida, esses números mostram nossa relevante posição em prover alimentos para todo o mundo.

Entretanto, esse lugar de destaque também nos impõe um grande desafio. Diante da necessidade global de alimentar uma população crescente, considerando que o Brasil usa apenas 8% de seu território para a produção agrícola, sofremos a pressão por não deixar grande parte dos 9 bilhões de habitantes do planeta com fome em 2050. Mas como fazer isso sem aumentar a área plantada? A resposta é bastante previsível, aumentando a produtividade. A implementação dessa solução, entretanto, é mais fácil no discurso do que na prática.

A ONU estima que até 2050, em função das mudanças climáticas, as colheitas devem ter redução entre 10% e 25%, volatilidade que deve ser acompanhada por alta de preços. É esperado que as pragas e doenças continuem implacáveis e até aumentem seu trânsito entre fronteiras de países. Essas preocupações fazem com que os produtores do mundo todo voltem suas atenções para a tecnologia na tentativa de permanecer produzindo alimentos em quantidade suficiente, alta qualidade nutricional e máxima preocupação com a sustentabilidade.

A indústria agrícola também vem trabalhando obstinadamente para continuar sendo o principal parceiro do agricultor no enfrentamento desses obstáculos. Ao longo de gerações, os cientistas mais brilhantes e profissionais mais capazes já foram engajados para encontrar soluções que tornem a atividade mais resiliente, segura e sustentável. Isso foi ocorreu até aqui e seguirá como um compromisso para o futuro. Nesse sentido, é fundamental o debate em torno de uma tecnologia que já revolucionou a agricultura e que é hoje uma ferramenta sem a qual a atividade, nos atuais níveis de exigência de qualidade e volume, seria impossível: os pesticidas.

Os pesticidas são usados para proteger as plantas de pragas e doenças. Em ambientes tropicais, como é o caso do Brasil, essas ameaças à agricultura são mais frequentes e devastadoras. A adoção desses produtos fitossanitários é uma condição para se colher tanto em tão pouca área. Junto com outras ferramentas, eles tornam a agricultura viável ambiental, social e economicamente. Com isso, os sistemas de produção estão diante de uma escolha. Abrir mão dos produtos fitossanitários resultaria em perda substancial de alimento para pragas e doenças ao passo que seu uso de forma responsável permite produzir mais, melhor e com segurança para todos os envolvidos na cadeia.

Mas falar de pesticidas nunca é uma tarefa fácil. Quem se propõe a isso com frequência se vê diante de um debate infrutífero e altamente polarizado entre críticos contumazes ou defensores ferrenhos. Apesar de ser um assunto que desperta paixões, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ou Econômico (OECD) nos ajuda a fazer uma análise mais fria do tema. Para a OECD, “os pesticidas são largamente utilizados na agricultura e trazem consideráveis benefícios ao contribuir para uma produção sustentável. Entretanto, se forem usados de maneira inadequada, podem representar um risco inaceitável para a saúde humana e animal e para o meio ambiente”.

Essa também é a abordagem da indústria que pesquisa e desenvolve pesticidas. Para aumentar as chances de se colher apenas seus benefícios, o setor trabalha incansavelmente em formulações cada vez mais específicas e na investigação de produtos mais eficientes. Além disso, investe em programas abrangentes de boas práticas e em consórcios de tecnologias integradas que entregam cada vez mais segurança, qualidade e sustentabilidade. Tudo isso revela a certeza de que há um forte compromisso em fazer parte da solução.

 

Christian Lohbauer é presidente executivo da CropLife Brasil

 

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