USO E APLICAÇÃO

Plataforma mostra resistência de plantas daninhas a defensivos


Pesquisadores da Embrapa e da Bayer estão monitorando a resistência de plantas daninhas a herbicidas no Mato Grosso. O trabalho conta com a participação de especialistas em todo o país, e os resultados estão disponíveis em uma plataforma online de acesso aberto.

De acordo com as informações da Embrapa, na plataforma é possível verificar os locais onde foram coletadas sementes de biótipos com suspeita de resistência, as espécies de plantas daninhas envolvidas e a qual defensivo e mecanismo de ação elas são resistentes.

A identificação de populações de daninhas resistentes se inicia com coletas de sementes de plantas-escapes com suspeita de resistência, nas principais áreas agrícolas do estado. Identificação também pode ser feita realizando envio das sementes das plantas com suspeita de resistência. As sementes coletadas ou recebidas são semeadas em vasos em casas de vegetação. As plantas passam por um processo inicial de avaliação, no qual são expostas às doses recomendadas dos herbicidas selecionados para os testes de cada espécie na fase e condições ideais de aplicação. Os indivíduos que sobrevivem ao controle são classificados previamente como resistentes. Para se chegar ao diagnóstico de resistência, é avaliado se a característica de resistência é hereditária, bem como os diferentes níveis de resistência, que são identificados em estudos de curva dose-resposta com uso de doses crescentes do herbicida e com repetições.

A expectativa é que a plataforma seja atualizada aos poucos com novas amostras coletadas e testadas. Além disso, futuramente também devem ser contempladas informações com a comprovação de resistência.

As coletas de sementes de plantas daninhas em Mato Grosso se concentraram em 2018, 2019 e 2021. Três espécies de maior impacto econômico no estado foram priorizadas: capim pé-de-galinha (Eleusine indica), capim-amargoso (Digitaria insularis) e buva (Conyza spp.).

Até o momento, foram avaliados 196 biótipos de capim pé-de-galinha, sendo 24% classificados como suscetíveis a todos os herbicidas, 54% como resistentes a um ou mais inibidores da ACCase (cletodim, fenoxaprop-p-ethyl e haloxyfop-p-methyl), 5% resistentes ao glifosato (inibidor da EPSPs) e cerca de 17% com resistência a um ou mais inibidores da ACCase e ao glifosato.

Para o capim-amargoso foram avaliados 116 biótipos. 69% foram classificados como suscetíveis a todos os herbicidas, 22% resistentes ao glifosato e 8% com resistência a um ou mais inibidores da ACCase (a maior parte classificada como resistente ao haloxyfop) e ao glifosato.

A buva contou com resultado de apenas 19 biótipos. Foi avaliado um número maior, mas não houve germinação de sementes. Dos biótipos analisados, 21% foram suscetíveis a todos os herbicidas testados (2,4-D, chlorimuron-ethyl, diquat, amônio-glufosinato, glifosato e saflufenacil), 42% resistentes ao glifosato e 37% com resistência ao chlorimuron e um ou dois dos herbicidas avaliados (2,4-D, glifosato, glufosinato).

Fonte: Canal Rural, 17 de junho de 2023

Fonte da Imagem: Pixabay

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